Volta ao mundo no veleiro TRITON
10 - 15 de Fevereiro 2003
Voltei depois de passar o Natal e Ano Novo no Brasil. Tereza vai chegar dia 16. No mesmo dia fui para uma leilão de automóvel da empresa Turner e comprei um Toyoto Corolla 1990 com 228.000 km por us$ 800,00. Em seguida para Whangarei e encontrei o barco no jeito como deixei ! O Magi de Zazem e Max de Eclipse também estão na marina. No dia seguinte levei o carro para fazer a inspeção de segurança que vai vencer em breve. A inspeção é bastante rigoroso e tive que trocar algumas coisas. Comprei o material de camping como barraca, fogão portátil, etc.
16 - 17 de Fevereiro 2003
Peguei Tereza da madrugada no aeroporto e partimos logo para o sul até Rotorua, distante 240 km de Auckland. É uma região com muita atividade vulcânica com piscinas com água quente, vapor, etc. Montamos a barraca no acampamento e entramos na piscina quente. Esta região foi habitado pela primeira vez no século 14 pelos Maoris, as habitantes originais de Nova Zelândia que são descendentes do povo das ilhas de Polinésia. No acampamento encontrei com Russ, um instrutor de vôo de parapente. Amanha ele vai subir junto com 4 outros para fazer um vôo de algumas horas e ele pedi se eu posso levar o carro dele de volta para o acampamento. É um van especial para fora de estrada, com pneus especiais, tração nas 4 roda, cambio reduzido, etc. Claro que eu topei ! Além de mais podemos fazer um vôo duplo caso as condições são favoráveis !
No dia seguinte subimos o morro numa estrada de terra e realmente só dá com um carro feito para fora de estrada ! As condições são boas e fiz um vôo duplo de meia hora. Coisa fantástica, voar sem barulho como um pássaro ! Tinha muito "lift" e deu para voltar para o ponto de partida ! Depois ele saiu com os outros e levei o carro de volta.
Depois partimos para Taupo e paramos nos "Craters of the Moon", um lugar cheio de buracos com muito vapor.
18 - 20 Fevereiro 2003
Seguimos para Huka Falls e depois para Tongariro National Park, um lugar lindo onde tem vários vulcões. Ficamos no acampamento Wakapapa Holiday Park. Os acampamentos são excelentes, tem sanitários, chuveiros de água quente, local para cozinhar, sala de televisão,etc. Para acampar de barraca pague se em média uns us$ 4,00 por pessoa/dia. Todos são muitos limpos, como o Nova Zelândia inteiro.
Subimos de teleférico no Mount Ruapehu e depois andei mais 1 hora subindo a montando e passei por muito gelo. O tempo não está bom e na volta vou parar aqui de novo para fazer outras trilhas boas.
Agora para Wellington, o capital no extremo sul de North Island onde chegamos com muito chuva e vento forte (é o capital de vento !). Compramos a passagem de ferry-boat para ir para a South Island. Uma viagem de quase 3 horas. Chegamos em Picton numa baía linda !
21 - 28 Fevereiro 2004
Pela costa Leste rumo para Kaikoura onde tem focas, golfinhos e baleias. Só encontramos focas, mas o lugar é lindo com as montanhas com neve e o mar azul ! Tereza está achando muita fria ! Andei em várias trilhas. Depois rumo para Hammer Springs e para a costa Oeste (Mar de Tasman) passando pelas montanhas no Lewis Pass. Chegamos em Greymouth, a maior cidade na costa Oeste com somente 13000 habitantes. Na Nova Zelândia tem somente 4 Milhões de habitantes, sendo só em Auckland 1 milhão. Portanto tem trechos enormes sem ninguém ! Cruzamos de novo de volta para a costa Leste agora pelo famoso Arthur Pass que é muito bonito. Paramos em Lake Tekapo, um lago lindo de cor azul turquesa por causa de pó de pedras suspenso na água glacial das montanhas. Encontrei Dirk-Jan e sua esposa. São Holandeses e Dirk-Jan fale Português porque viveu no Brasil quando era criança.
Saímos para Mount Cook, a montanha mais alta de Nova Zelândia com 3754 metros de altura. O nome dos Maoris é Aoraki, um deus da mitologia deles. Andei numa trilha linda para Hooker Valley na base de Mount Cook. Tereza normalmente na acompanha, só se for uma trilha pequena sem subidas ! A noite a temperatura baixou bastante e ouvimos avalanches de neve na montanha. De madrugada um baralho danada e a barraca sendo sacudido. São 2 papagaios Kea, só encontrados em Nova Zelândia. Estes bichos são curiosos, gostam de desmontar coisas e sem vergonha ! Os dois me encararam a menos de 1 metro de distância e só foram embora depois que eu dei um grito.
Continuamos até Oamaru onde tem pingüins de olho amarelo, uma das espécies mais raras. A noite na praia só chegou 1 da colônia de 23.
O tempo e chuvoso, chegou outra frente fria e passamos por Dunedin para Nugget Point onde a gente vi muitas focas. Paramos em Curio Bay num acampamento na beira da praia. Aqui tem golfinhos Hector surfando nas ondas perto da praia ! Encontramos também mais pingüins de olho amarelo.
1 - 5 Março 2003
Chegamos em Bluff, cidade mais ao Sul do pais. São mais 4810 km até o Polo Sul e 1401 km até Cape Reina, o ponto mais ao Norte de Nova Zelândia. Depois para Te Anau na costa Oeste onde tem os famosos Fiordlands onde acampamos por alguns dias. Pegamos a estrada até Milford Sound, um lugar lindo. Subindo nas montanhas em estradas e um túnel estreito sem luz de 1207 metros para sair na
Cleddan Canyon de Milford Sounds. Infelizmente é uma região onde mais chove no pais, são 600 cm por ano ! Mesmo assim os fiords são lindos (enseadas estreitas profundas com montanhas subindo diretamente da água). Andei um pedaço do Kepler Track, uma trilha famosa de 67 km que leva 4 dias pernoitando em barracas ou cabinas.
Saímos para Queenstown onde subimos de carro para Coronation Peak onde tem uma vista fantástica das montanhas. Também por perto tem Kawarau suspension bridge com 43 metros de altura onde se pode pular de bungy jumping (corda elástica). O preço é salgado (us$ 85,00) e acho que não vale a pena para alguns segundos de emoção !
Continuamos subindo a costa Oeste para Fox Glacier, uma dos "rios" congelados de Mount Cook. Tem uma trilha linda até o gelo ! Depois para Franz Josef Glacier, também bonito !
Seguimos para Westport, outro lugar com muitas focas (uns 40) !
6 - 15 Março 2003
Agora para o Norte da ilha onde tem o parque nacional Abel Tasman. Aqui tem outra trilha famosa de 4 dias, só andei o pedaço de um dia. O lugar é muita parecido com Angra dos Reis; montanhas, praias e águas bonitas, só mais frio e floresta diferente. Depois ficamos mais alguns dias em Picton para conhecer o Marlborough Sound e andei na trilha Queen Charlotte no enseada com o mesmo nome. No dia 10 de volta para a ilha do Norte e direto para Whakapapa no Parque nacional Tongariro. No primeiro dia não deu para subir, ventos muitos fortes e neblina e chuva. Decidi fazer a trilha de 16 km para os lagos Tama, não tão altos. No dia seguinte sol !!! Vou fazer a trilha mais famoso de NZ, a Tongariro crossing, uma trilha de 17 km subindo vários vulcões e com duração estimada de 7 horas. O início é em 1100 metros de altura e o ponto mais alto é de 1886 metros para depois descer, subir, etc até voltar em 750 metros. Um passeio fantástico, em cima tem três lagos, são 2 lagos esmeraldas e o lago azul, passe-se por dentro do cratera "South Crater" e depois tem o "Red Crater" donde sai fumaça. Em um lado tem Mount Ngauruhoe de 2287 metros, um vulcão ativo e com a ultima erupção em 1995 e no outro lado Mount Tongariro de 1967 metros. Depois passe-se por "Central Crater" e começa a decida. Realmente um passeio fantástico !
Saímos rumo a Tauranga na costa Leste e depois no acampamento de Omokoroa Beach com piscina quente natural. No dia seguinte de volta para o barco em Whangarei. Adoramos Nova Zelândia, um pais com uma natureza linda. Não ficamos nas cidades maiores, só as pequenas, mas todos são bonitas e limpas. Em todos os lugares tem sanitários públicos limpos. O povo é simpático e muito honesto. É muito comum na beira de estrada encontrar barracas com frutas a venda. Não tem ninguém tomando conta, tem uma lista de preços para cada saco de produto e coloque-se o dinheiro em um caixinha; funciona !!!
16 - 31 Março 2003
No dia 18 o barco saiu da água para pintar o fundo na marina Dockland 5. Quem voltou para a água foi o barco Bora com Marco, Italiano e Adriana, Brasileira. Eles decidirem ficar em Nova Zelândia e estão com o processo para poder morar e trabalhar por aqui. Gastei 3 dias lixando o fundo depois começou a pintura: 2 camadas de primer epoxi e depois 3 camadas de tinta venenosa semi-dura. Instalei novos cabos para o guarda-mancebo. Porém começou a chover forte durante 2 dias e estou trabalhando dentro o barco. Como sempre são mil coisas para fazer. Afixei um cartaz no carro que está a venda e vendi em menos de 3 dias para um rapaz que trabalha num estaleiro pequeno também no complexo da marina. Vendi pelo preço que comprei o carro e portanto o nosso transporte (andamos mais de 6000 km) ficou bem em conta !
1 - 25 de Abril 2003
Voltei para a água e de novo no Town Basin. O controle de engate do motor deu problemas. Comprei somente 3 anos atras de Volvo e já esta com defeito e como o mecanismo está montado dentre uma caixa blindada, não tem como consertar. Achei um outro de 2a mão da marca Vetus. Consertei um vazamento de óleo no motor por causa de um 0-ring mal colocado. Instalei uma nova capa para o enrolador de genoa, e mais mil outras coisinhas; a lista é longa mas começa a ficar menor !
Dia 11 aluguei um carro para 3 dias para passear no Norte e levar Tereza de volta para o aeroporto em Auckland no dia 13.
Instalei um novo luz de ancora perto do painel solar para usar em portos, novos faróis na proa e popa para poder fazer coisas a noite com mais facilidade, uma tampa para a botijão de gás no convés, troquei a adriça da vela mestre e do enrolador de genoa. Abasteci com 75 litros de óleo diesel.
No dia 33 chegou Gustavo Pimentel de Rio de Janeiro. Ele vai participar do trecho daqui para Suva na Fiji.
26 Abril - 8 Maio 2003
Fizemos o clearance e recebemos nosso duty free (whisky, cerveja Heineken e vinho). Partimos as 1415 com o maré alto. Começou a segunda parte da volta ao mundo ( metade das milhas a percorrer já fiz).
As 1730 estamos no mar e a vela com ventos de 10 nós. Nos primeiros dois dias ventos favoráveis.
Depois incrivelmente somente ventos contra até quase a chegada em Suva. Quase sempre NE, Norte ou NW com até 25 nós e com rajadas de 30. São 7 dias de bater contra ondas cada vez maior. O barco sempre adernado, pouco confortável. A quantidade de água que passa no convés é impressionante, parece um submarino ! Noticia boa: as gaiutas novas são fantásticas, não entrou uma gota de água. Gustavo está tomando remédio contra o enjôo. Mesmo assim não consegue ficar na cabina sentado, somente deitado. No conves ele não tem problemas e portanto dá para ele também fazer os turnos de vigilância a noite. Mesmo assim ele está adorando a viagem, ainda bem !
No meio da viagem quebrou o novo cabo do enrolador; acho que deve ser defeito de fabricação! Era a noite eu deu trabalho para enrolar a genoa à mão. Inverti o cabo e depois descobri que de nova começou um desgaste acelerado ! Vou escrever o fabricante em Nova Zelândia para reclamar do produto dele. O cabo mais grosso da adriça não tem problemas.
No inicio estava bem frio mas como estamos indo direto para o Norte está cada vez mais quente !
No dia 4 tomamos o primeiro banho desde a saída. Antes não tinha condições por causa do mau tempo.
Nos últimos dia tivemos que usar o motor varias vezes por falta de vento e precisamos chegar em tempo por causa das viagens aéreas de Gustavo.
Chegamos no dia 8 as 0830 e ancoramos em frente do Royal Suva Yacht Club junto com o veleiro Holandês Borracho com Cees e Carola, com que tivemos contato via rádio desde a saída em Whangarei.
O harbour control tinha informado que o oficial de saúde ia vir a bordo para inspecionar o barco. Também conforme as informações no Cruising Guide será lacrado todas as bebidas a bordo.
Depois o harbour control informou que tudo será feito em terra e pediu pegar o bote para ir até escritório deles. Fui junto com Cees. Passamos pela saúde, alfândega, agricultura e imigração. Nunca preenchi tanto papel ........ Na alfândega queria declarar as bebidas, porém o cara falou para colocar tudo zero, se não ele tem que ir a bordo para lacrar tudo..... Na imigração deu baixa de Gustavo como tripulante e finalmente tudo OK. De volta para o barco para levar Gustavo para terra e para o rodoviária para pegar o ônibus para a cidade Nadi onde fica o aeroporto e onde ele deve ficar mais uns dias para mergulhar. Gustavo gostou tanto que vai comprar um veleiro !
Suva é bem diferente de Nova Zelândia. As cidades de Nova Zelândia são limpas e organizadas, porém um pouco estéril. Suva é tropical, menos limpo e tem vendedor de tudo, lojas com mil e uma coisas, restaurante chinês com comida farta e barato, um mercado enorme de frutos e legumes. Estou adorando, metade do povo e nativo (raça de Melanesia, mais escuro de que o povo de Polinesia) e a outra metade são Indianos que foram importados de Índia para trabalhar no campo. Ainda tem um parcela menor de Chinês. Todos são alegres e muito amigáveis. No yacht club paga-se uma taxa pequena para deixar o bote, usar os chuveiros, etc. Tem um bar bonito com cerveja bem gelada por us$ 0,75 a caneca !
9 - 20 Maio 2003
Aqui tem muito alfaiate Indiano com preços excelentes. Numa loja encomendei novas cortinas para o barco e o conserto do dog-house. Uma mulher Fijiana me levou para uma loja para comprar o material e me convidou para Domingo almoçar na casa dela. Domingo é dia das Mães. No casa dela alem do marido e filhos muito gente. O almoço é típico daqui, peixe em molho de coco, um raiz cozido, chamado de dalo (taro) e salada. Depois as mulheres voltaram para a igreja para a Segunda missa do dia; o pessoal é muito religioso, mas são poucos os homens que enfrentam a missa com duração de até 3 horas. A noite o tradicional kava, uma bebida feito de um nariz, cor de lama e sabor amargo e com qualidades um pouco anestésicos que deixa a boca adormecida. O pessoal adora e durou até 4 de madrugada. Nas casas todo mundo entre e sai toda hora e pode ser dormir em qualquer canto. É a hospitalidade Fijiana. De volta ao barco encontrei o barco Espanhol Cypsela com Ricardo, Isabel e Ricky, velhos conhecidos desde o Brasil em 1999 !
Na cidade tem muitos restaurantes baratos com comida Chinês e Indianos com um curry saboroso. Um bom refeição custo us$ 2,00!
No dia 17 aluguei junto com Cypsela um taxi para passear o dia na ilha. Com 4 pessoas é mais barato de que andar de ônibus ! Fomos para o parque nacional Colo i Suva onde tem uma trilha bonita junto a um riacho. Depois para o lado leste da ilha. Neste parte as estradas não são boas.
No dia 19 uma tempestade de madrugada com muito vento, chuva e relâmpago. A ancora em 6 metros com fundo de lama e corrente de 30 metros segurou bem !
21 - 25 Maio 2003
Parti as 0900 horas para Beqa Lagoon distante 30 milhas. Um dia lindo, vento nas alhetas e sol. Cheguei as 1600 horas na ilha Yanutha dentro de Beqa Lagoon. Praias, águas limpas e peixes. Cypsela também esta aqui. No dia seguinte mergulhei no recife em 15 metros. Muitos peixes coloridos inclusivo um peixe Napoleão enorme.
Parti as 1530 rumo a ilha Kandavu distante 40 milhas. Preciso sair e chegar com luz de dia por causa dos recifes. Vento Leste e portanto na orça. Anda com pouco vela para não chegar cedo demais. Ancorei as 0900 horas perto do vilarejo de Tavaki. Aqui mora parte da família que eu conhecia em Suva. Infelizmente tem um recife enorme na frente do lugar e preciso ficar a 1 milha ao ponto de acesso. O maré esta alto e vou de bote. Sou muito bem recebido pelo pessoal. O vilarejo tem somente 5 famílias, todos relacionados. Vou conhecer a roça onde se planta dalo (taro) e tavioka (cassava) para uso próprio e yaqona (kava) para vender. Kava é feito do raiz da planta "Piper methysticum" A tarde a tradicional cerimônia de kava. Voltei para o barco as 5 e o pessoal precisava ajudar carregar o bote uns 400 metros já que agora está maré baixa !
No dia seguinte mudei para Drue 7 milhas para o Norte. Ancorei em 10 metros. Aqui tem o Kandavu Dive Resort e procurei o pessoal para carregar as minha garrafas. Infelizmente não é possível. Existe um acordo com o vilarejo onde está o resort que todo mergulho é feito através do Resort e para cada mergulho o vilarejo recebe um valor, já que o recife é deles ! Fiz snorkel do lado de fora do recife para conhecer o passe e fazer caça submarina, porém logo avistei um tubarão e achei melhor só olhar ! O recife é lindo e ainda vi uma tartaruga.
26 - 31 Maio 2003
Parti as 0900 horas rumo a ilha Ono, tudo dentro de Astrolabe Lagoon. Aqui tem um "resort" muito simples de somente 3 cabinas chamado de Joanas Paradise Resort onde deve ser possível encher as minhas garrafas. Fiquei do lado barlavento na ilha e o resort está no outro lado. Mais tarde apareceu um barquinha do resort e chamei o pessoal para carregar as minhas garrafas. Sem problemas, coloque no barco e amanha a gente devolve. É um pouco caro, us$ 7 por garrafa, mas estamos no fim do mundo !
No dia seguinte mudei para a ilha Vuro para me encontrar com Cypsela. Somos os únicos veleiros nesta região! Almoço de lagosta !
No dia 28 rumo a ilha Bulia distante somente 1 milha onde tem um vilarejo que é dona do recife Astrolabe com extensão de 20 milhas. Preciso falar com o chefe (chief) para pedir permissão para mergulhar. A tarde fui a terra e foi recebido pelo Samu, um cara muito simpático. Logo uma sessão de kava. Mais tarde fui apresentado ao chefe para mostrar o meus credenciais (o cruising permit do Fijian Inland Board, escrito na língua de Fiji) e dar o presente, chamado de sevusevu, 500 gramas de raiz de kava.
Samu me convidou para amanha ir com o barco dele para pescar e mergulhar.
No dia seguinte mergulhei dentro a lagoa de Astrolabe Reef. Infelizmente por dentro tem muito coral morto por causa de um furacão muitos anos atras. Também ajudei em buscar pepinos do mar. São vendidos para o mercado asiático onde é considerado um fruto do mar da primeira linha. Eu acho um bicho nojento. Quando eles são tirados do mar, costumam jogar os tripas e tudo pelo lado de fora ! São vendidos em Suva a um Chinês por us$ 30,00 o quilo, e cada pepino tem um peso de 500 gramas à 1 quilo. No primeiro dia pegamos somente 4, porém no dia seguinte 116, um recorde novo e conforme a turma de 7 pessoas era por causa do café Brasileiro que levei dentro a minha garrafa térmica e que todo mundo adorou !
Além disso o vilarejo vive de copra. Todo dia sou convidado para o almoço e jantar e claro a sessão de kava ! Dei de presente algumas camisa e o Samu pedi um novo cabo para o ancora dele. Como tinha um cabo velho porém bom de 40 metros , dei para ele. No momento o gerador do vilarejo está pifado. Só se recebe rádio, a televisão não chega. A vida aqui é muito tranqüilo, pouco trabalho e nenhum luxo. O prédio melhor é a igreja, já que a religião aqui é importante. Mulher só anda de vestido longo, nada de traja de banho, embora estamos na frente da praia !
Sexta-feira a noite começou um vento cada vez mais forte com rajadas de até 35 nós. Infelizmente não estou num ponto muito abrigado. Coloquei mais corrente num total de 50 metros para um profundidade de 9 metros. É um frente estacionário que está por ai e somente sábado a noite o tempo melhorou. Fiquei no barco este tempo tudo embora o pessoal me chamou para ir para terra, mas nem pensar que vou deixar o barco sozinho nestas condições.
1 Junho 2003
Sai as 1030 para passar pelo Herald Pass com o sol acima para poder ver bem os recifes. Uma vez fora coloquei somente a genoa, velocidade 6 nós. Vento nas alhetas de 15 nós. Vou para Pacific Harbour em frente de Beqa Lagoon, distante 36 milhas e cheguei as 1930 já escuro, porém a entrada na baía e fácil sem perigos. Infelizmente não é um bom lugar para ancorar, muito aberto.
2 - 3 Junho 2003
Na madrugada o vento parou e fui para terra de bote. Pacific Harbour é uma cidade planejada para resorts e casas de luxo, fora do padrão Fijiano. Mandei somente 1 email para Tereza, já que aqui é caro demais, us$ 0,15 por minuto ! Comprei pão e carne , o mercado de verduras estava fechada e voltei para o barco para seguir viagem para a ilha Yanutha dentro de Beqa Lagoon onde encontrei Cypsela de novo.
No dia seguinte um mergulho em 15 metros onde todo dia via operadoras de mergulho parar e onde tem uma poita. Nada excepcional, embora tem coral mole.
Parti as 1600 horas rumo as ilhas Mamamucas no Oeste de Viti Levu distante 70 milhas. Vento na popa, estou só com a genoa reduzido para não chegar cedo demais.
4 - 6 Junho 2003
Cheguei as 0700 horas no passe Wilkes. Dá para entrar sem problemas já que tem ondas enorme quebrando nos recifes e portanto a entrada está bem marcada. Rumo a ilha Malolo Lailai onde tem resorts e uma marina e onde cheguei as 0930 e ancorei em 15 metros. Está cheio de veleiros, portanto todo mundo no parte turístico e nenhum veleiro nas partes onde tem o Fiji real, como Kandavu !
Me registrei no Musket Cove Yacht Club e por us$ 0,50 virei membro com direito a identificação plastificada ! Tem chuveiros, um bar, uma loja, água e diesel e pode se usar a piscina do resort. Portanto bem organizado ! A marina em si está cheia com barcos de regata de Nova Zelândia (regata bianual de Auckland - Musket Cove, Fiji).
No dia seguinte andei pela ilha e subi o ponto mais alto onde tem uma vista linda dos recifes e o mar ! A noite música ao vivo de Cypsela junto com Kurt do barco Espanhol Nicole e Dave do barco Americano Irish Melody. Todo mundo toca muito bem, porem o Kurt é sensacional !
Ainda fiz um mergulho junto com Ricky de Cypsela, porém a água não esta muita clara !
7 - 13 Junho 2003
Parti as 1000 horas rumo a ilha Tai onde tem um resort estilo "Backpacker", porém não tem lugar bom para ancorar e segui viagem para Lautoka, a segunda maior cidade de Viti Levu onde cheguei as 1500 horas, tudo de motor, sem vento.
Visto do mar Lautoka é muita feia com um enorme usina de açúcar bem no frente dos cais
14 - 17 Junho 2003
Mudei para Vuda Point Marina para limpar o barco, abastecer , etc. A Marina é barato, us$ 7,00 por dia. Fiz o clearance em Lautoka para a ilha Tanna em Vanuatu.
18 - 22 de Junho 2003
Parti as 0815 horas para Tanna , distante 500 milhas. Pouco vento. São 25 milhas para ficar livre dos recifes. Nas primeiras 24 horas fiz somente 69 milhas, mas depois o vento aumentou para sul e SE até 20 nós, nas alhetas e agora todo dia 160 milhas até a chegada ! Durante a viagem um swell cruzado de Leste e Sul com ondas de até 3 metros. Ainda perdi uma isca e peguei nenhum peixe. No última noite fiquei somente com a genoa bem pequena para chegar durante o dia. De manha Port Resolution e ao lado o vulcão ativo Mt Yasur. Ancorei as 0900 horas em Port Resolution Bay e pouco depois chegou Cypsela.
23 - 29 de Junho 2003
No dia seguinte visitamos o vilarejo Port Resolution. Pela primeira vez um vilarejo com quase todas as casas construídos de maneiro original com bambu, folha de bananeira e material de coqueiro. O chefe Ronnie é muito simpático. Alias todo mundo muito alegre e com um sorriso enorme ! Vanuatu era conhecido como Novas Hebrides e era administrado pelos Inglesas e Francesas e tem muito gente que fale um das duas línguas. Em Vanuatu mesmo existem uns 130 línguas , quase um para cada grupo de vilarejos. Criou-se uma língua franca, a Bislama ou Pidgin English, um inglês simplificado escrito de modo fonético !
Um exemplo: Please be careful of our boat and donot damage it with your canoe, thank you ! Em Bislama:
Plis lukaotgud long sip blong mitfala so yu no spoilem wittim kanu blong yu, tankyu tumas !
Em Vanuatu vivem 180 mil pessoas em 10 ilhas principais.
Além de Cypsela tem mais 4 barcos, 2 de Austrália, 1 de Canada e 1 de Dinamarca.
No dia 24 chegou a alfândega para fazer o clearance. A imigração será feito em Port Vila. No final do dia visitamos o vulcão Mount Yasur com 361 metros de altura. Um espetáculo, fumaça, pedras de lava, fogo e com cada erupção um estrondo de ensurdecer. Tirei fotos lindas !
O vilarejo é bastante primitivo, parece que estamos voltando no tempo. De moderno tem 3 coisas, um telefone comunitário com painel solar e bateria ligado via microondas ao vilarejo principal, um pequeno gerador portátil usado durante festas para ter luz e alimentar um som e um caminhonete para transportar carga e passageiros e que também serve com taxi para os yachties.
No dia seguinte um festa num outro vilarejo com dança "kastom". Kastom é costume e quer dizer fazer as coisas de maneira tradicional. A dança tipo guerra é só de homem e tem muito nativo assistindo de vilarejos próximos.
No dia 26 festa em Port Resolution com um jantar e canta das crianças. Tudo para obter fundos adicionais para comprar material para a escola. Muito divertido, para os yachties tem comida tradicional por us$ 2,50.
Dia 27 fiz trilha para Sulphur Bay. São 3 horas subindo e descendo morro e voltei passando pelo vulcão na estrada de terra, outra 3 horas. Passei por um vilarejo queimado pelos nativos, porque aqui teria espíritos malvados ! Em Sulphur Bay nasceu o culto "cargo" de Jon Frum que prometia muitos coisas materiais para os nativos. Quando chegou a 2a guerra mundial os Americanos aparecerem com todo material de guerra alem de muito cigarros e coca-cola. Os soldados negros eram muito generoso e como são parecidos com o povo local eram gente de Vanuatu disfarçado! Os americanos foram embora mas o povo continua esperando a turma voltar com toda carga de bens materiais !
30 - Junho / 2 - Julho 2003
Parti as 0845 rumo a ilha Efate onde fica o capital Port Vila de Vanuatu. Passei quase o tempo inteiro sem ou com pouco vento: 74 milhas em 40 horas sendo 20 de motor ! No ultimo dia a meio noite começou um vento bom e fiz os 64 milhas restantes em menos de 11 horas ! Vi pela primeira vez um green flash no Pacifico ! Ancorei as 11 horas em 12 metros na frente da cidade de 30 mil habitantes.
3 - 25 Julho 2003
Encontrei Luís Manuel e Marli de Brasil abordo de Green Nomad e de novo Kakalo e Luciana abordo do catamaran Saravá. Conhecia Kakalo em St. Maarten. Também está aqui Florian do barco alemão Filos.
Port Vila é bastante sofisticado, um contraste forte com Tanna. Tem muita influencia francês com lojas e restaurantes de luxo. Infelizmente os preços também são francês, caríssimas ! No mercado municipal vende-se produtos locais, frutas (grapefruits), verduras e legumes com preços bons. Carne de boa qualidade também não é caro. O mercado é coberto e funciona quase 24 horas por dia. O pessoal chega do interior e fica lá a semana inteira até vender tudo. Para transportar coco verde é tirado o casco até ficar uma camada fina de 1 cm; é menos peso para transportar !
Muitas dias com chuva e vento forte. Tive que mudar varias vezes de lugar porque aqui o fundo não segura bem a ancora. Muitos convites entres os barcos para jantar ou tomar um drinque. A vida social é intenso. Dia 16 e meu aniversário e festa abordo do Triton com Ricardo, Isabel e Ricky de Cypsela . Kurt e Helena de Nicole e Luís Manuel e Marli de Green Nomad. No dia seguinte mais uma festa com Bert e Gré de Ciris e Cees e Carola de Borracho e Peter e Sandie de Otama Song, já que não deu para receber todo mundo de uma só vez dentro do barco por causa do tempo chuvoso !
No dia 24 mergulhei no "Star of Russia", um naufrágio em 30 metros. O navio a vela construído no século 19 de ferro afundou em 1930. Dá para ver muita coisa interessante como o guincho da ancora, parte dos estaiamentos e mastros.
No dia seguinte fiz o clearance interna para Luganville com paradas intermediárias e comprei bebidos duty-free com preços excelentes. Comprei coco verde, bananas, pepinos e grapefruits para a viagem.
26 Julho 2003
Sai para o lado Oeste de Efate para mergulhar em Paul's Rock, um ponto famoso. São 15 milhas de vela com motor. Na chegada não achei o ponto. Felizmente passou um pessoal de canoa que me indicou onde esta o recife. Fiz um mergulho legal em até 24 metros. Depois tive que mudar rápido de local, o vento mudou e o barco estava chegando perto das pedras. Parti as 1530 para Lamen Bay na ilha Epi, distante 70 milhas. Vento Leste de 15 nós.
27 - 30 de Julho 2003
Cheguei as 0630 em Lamen Bay e ancorei em 6 metros. O lugar aqui é famoso porque tem peixe-boi (dugong). Na verdade não e peixe e sim mamífero. As 1000 horas já apareceu um perto do barco. Peguei a maquina fotográfica subaquática e entrei na água. Tirei fotos lindas, o bicho não tem medo e o peixe-boi no fundo parece um aspirador, não de pó mas de algas (um tipo de capim. Fantástico !!! Também tem muitas tartarugas enormes comendo as mesmas algas.
No dia seguinte sai de camioneta com 5 Australianos e 2 Holandeses assistir a uma festa de dança "kastom " no outro lado da ilha. De novo bonito, porem completamente diferente de Tanna. Ainda tomei a kava mais forte do Pacifico e comi a comida típica de Vanuatu, chamado de laplap, um tipo de torta feito de mandioca ou "yams" ou "taro " !
A noite um jantar no barco Alemão La Rosa com Manfred e Renata e mais Kurt e Helena de Nicole.
31 Julho 2003
Parti para as ilhas Maskelyne ao sul da ilha Malakula, distante 24 milhas. Só com a genoa, vento na popa. A tarde o vento parou
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
e continuei mais 6 milhas de motor ate chegar na ilhota Sakau onde ancorei. Tem extensos bancos de areia e corais em volta das 6 ilhas Maskelyne. Logo chegou uma canoa para trocar bananas e mangas para qualquer coisa. Dei um camisa, todo mundo feliz !
1 Agosto 2003
Fiz snorkel e vi um cardume de peixe Napoleão pequenos. Mas tarde começou um vento de Oeste e o ponto de ancoragem ficou a sotavento. Mudei para Caspar Bay a 2 milhas, bem protegido, onde ancorei em 9 metros.
2 - 4 Agosto 2003
Sai para Porto Sandwich, uma baia bem protegido na ilha Malekula à 10 milhas. Vento na popa só com a genoa. Na entrada da baia ainda fiquei preso num banco de areia/lama. A visibilidade na água não e boa por causa de rios e os bancos são bem mais extensos do que aparece nas cartas. Ancorei em 14 metros perto do barco Green Nomad onde Luís Manuel está doente com catapora.
Em terra tem um casal muito legal, Rock e Noella, que gostam de receber "yachties". Na casa deles o que deve ser maior biblioteca de Vanuatu, doações e trocas de 'yachties". Comprei pão, grapefruits , limão e coco verde. Bati um papo com o pessoal durante vários horas, gente simples porém educados ! Neste ilhas se cria muito gado em tem muitos coqueiros para fazer copra. Copra é a carne do coco secado, usado para fazer óleo para cozinhar, sabão, etc. Era uma das principais produtos de exportação do Pacifico Sul, porem caiu muito por causa dos preços baixos. Hoje em dia 1 quilo de copra vale 18 Vatus (us$ 0,15). É muito trabalho, descascar o coco, tirar a carne e secar em um grande forno a lenha, já que não daí para secar por aqui no sol, chove demais ! São muito cocos para fazer 1 quilo de copra !
5 - 9 Agosto 2003
Parti as 1000 horas para a ilha Ambrym distante 30 milhas e onde tem um festival anual de danças durante 3 dias. Vento bom de Leste e cheguei as 1530 e ancorei em 14 metros. Tem uma praia com algumas casas e são 40 minutos a pé até o vilarejo onde tem as festas.
Nesta ilha tem 2 vulcões ativos e o povo local acha que onde tem vulcão tem feitiço ! Então Ambrym com 2 vulcões é considerado o centro dos feiticeiros que são chamado em Bislama de "man blong majik" e são considerados de grande poder respeitados.
Nas festas tem as danças ROM onde é usado um mascara e o corpo e coberto de folhas de bananeira. A pessoa assim vestido representa um espirito. Por causa disso, tudo é queimado após a dança para evitar que a traje assuma os espíritos e vão infernizar a vida das pessoas que usaram as trajes. Assisti aos 3 dias de festas, também tem dança "kastom", sendo que aqui os homens vestem somente um cinto e um "tubo" de pano no pênis e as mulheres somente uma saia de capim.
Um dia fizemos uma brasa na praia para comer sardinhas que o pessoal local pescava nos recifes.
No último dia da festa tinha música ao vivo no "kava-bar" na praia onde está os barcos. Está cheia com o pessoal do vilarejo mais próximo. Todo mundo se divertindo !
Sábado a noite festa no barco La Rosa; é o aniversário de Manfred. Estou junto com Cypsela, Nicole e Freiheit. Lagosta para todo mundo !
10 - 11 Agosto 2003
Sai as 1700 horas rumo a ilha Santo distante 70 milhas. No inicio vento bom, porém parou 2 horas depois par só voltar 10 horas mais tarde....
Cheguei as 1600 horas em Luganville e ancorei em 4 metros.
12 - 18 Agosto 2003
Fiz um mergulho de 36 metros no naufrágio do "Presidente Coolidge". Era um transatlântico convertido para transportar tropas durante a 2a guerra mundial. Afundou em 1942 por minas colocados pelos próprios Americanos.....
Com 201 metros de comprimento é o maior naufrágio do mundo acessível para mergulho com equipamentos comuns !
Dá para ver canhões, munição, capacetes, jeeps, etc !
Fiz um outro mergulho no Coolidge na Quinta-feira a noite. Ficando dentro do naufrágio e apagando as lanternas se vê dezenas de peixes lanterna (flashlight fish). O bicho de 1 cm tem um luz na cabeça piscando para atrair peixes, etc menores ainda e comê-los. No lado de fora tem muito peixe-leão !
Preparei o barco para a travessia pelo Mar de Coral para Austrália.
Estou com 100 litros de diesel, tanque de água cheio, comprei bananas, cocos, grapefruits, mamão e limão. Fiz o clearance e paguei as taxas portuárias. Junto com outras taxas são us$ 100,00 para ficar 2 meses em Vanuatu. É um jeito parta obter fundos para desenvolver o pais. Vanuatu foi um dos pontos altos deste viagem volta ao mundo !
19 Agosto 2003
Parti as 0830 para Talgula Island, Louisiades, Papua Nova Guiné (PNG) distante 900 milhas. Primeiro de motor para sair do Segond Channel. Uma vez fora coloquei as velas, porem pouco vento que mais tarde parou completo. Andei mais um pouco de motor e ancorei no lado Oeste da ilha em Lisburn Anchorage. Vou esperar o vento voltar. Logo chegou uma mulher e uma criança de canoa. Trouxeram cocos e ovos e querem trocar por uma camisa. Com todo prazer !
20 - 25 Agosto 2003
Parti as 0730 com vento fraco de SW. Depois meio dia começou o vento Sudeste de 10 á 15 nós dos alísios. Andei vários dias direto com as velas em asa de pombo. Ainda peguei um dourado de 8 kg ! O maior peixe que já peguei ! Virou sashimi e peixe frito ! Sobrou , é muito peixe para uma pessoa !
26 - 27 Agosto 2003
As 0700 horas estou à 20 milhas da ilha Talgula de PNG. Entrei no passe do recife para ancorar na baía Dumaga. O motor não está funcionando bem, deve ser entrada de ar. Ancorei as 1300 horas em 6 metros. A viagem de Vanuatu para PNG foi fantástica ! Vento constante e uma média de 145 milhas por dia! Tempo legal, sol, algumas nuvens e mar com marola de 1,5 metros.
Na baía só tem algumas casas de palha.
No dia seguinte apareceu um rapaz para bater um papo. Ele falou que tem 100 pessoas morando aqui que vivem de pesca e plantações.
Parti as 1330 horas para a ilha Ana distante 75 milhas.
28 - Agosto 2003
Cheguei as 0500 horas e vou ficar a capa até ter luz suficiente para entrar. Entrei as 0800 horas e ancorei em 10 metros. A ilha tem menos de 2 km de comprimento e tem uma praia bonita e algumas casas de pescador vazios. A água aqui é clara e tem muito coral.
Descobri o problema com o motor. O respirador do tanque está entupido. Isto criou um vácuo no tanque e a entrada de ar nas linhas de abastecimento. Limpei o respirador e coloquei a mangueira de maneira diferente para evitar este problema no futuro.
Parti as 1330 horas para Thursday Island na Austrália distante 660 milhas. Vento Sudeste, a noite aumentou com rajadas de 40 nós. Fiquei só com a vela grande com 2 rizos. Tem muitas nuvens pretas, porém sem chuva mas com vento demais !
29 - 31 Agosto 2003
De novo vento normal dos alísios com 15 à 20 nós. Descobri que a peça no mastro onde está afixado a retranca está quebrado na parte inferior. Baixei a vela mestre e tentei colocar a retranca de volta mas agora quebrou também a parte superior e a retranca está agora completamente solta. Consegui fazer um conserto temporário colocando duas braçadeiras grandes de aço inox por volta do mastro segurando o pino da retranca na posição certa no mastro. Levei 2 horas mas agora de nova está seguro ! Preciso trocar tudo na Austrália.
Estou direto com asa de pombo e o leme de vento está funcionando muito bem.
1 - 2 Setembro 2003
As 0900 horas estou entrando no Estreito de Torres entre PNG e Austrália. O Mar de Coral e o Oceano Pacifico estão ficando para trás.
O estreito está cheio de ilhas, extensos bancos de coral e bancos de areia móvel. Ainda tem correntezas fortes. Só tem um "canal" seguro para atravessar o estreito. Começa em Bramble Cay perto de PNG e depois são 130 milhas na direção SW até chegar em Cape York e Thursday Island no extremo Norte de Austrália. Tem balizamento com faróis nos principais ilhas no caminho.
As 1400 horas apareceu um avião da alfândega de Austrália. Me chamou no rádio e pediu informações sobre o barco. Existe um controle muito rígido nas águas Australianas.
Esta noite não da para dormir. Sempre preciso verificar se estou navegando certo dentro o "canal".
No dia seguinte peguei ainda uma correnteza contra de 2 nós perto de Thursday Island onde cheguei as 1130 e ancorei em 6 metros. Outro viagem rápido com média de mais de 140 milhas por dia !
As 1400 horas chegou o pessoal de saúde, alfândega e imigração. Confiscarem 2 cebolas e um pouco de alho, proibidos de ser importados. Ainda tem que pagar Aus$ 132 ($ 85,00) pelo serviço de inspeção ...
Bem, foi tudo rápido e sem problemas !
3 - 7 Setembro 2003
Muito vento, até 30 nós. Felizmente a ancora segura bem ! A cidade é pequena, vive de pesca e tem o governo regional instalado aqui. Creio que os Australianos adoram apostar em corrida de cavalo e outros eventos esportivos. Tem 2 estações de FM, um é Australian Broadcast Corporation, público e não comercial e o outro comercial e só da resultados das corridas e apostas .....
O bar principal da cidade também está cheio de caça-níqueis em tem 3 televisores com as corridas de cavalo de Austrália, Nova Zelândia e sei lá mais donde ? Quer apostar ? Ao lado do bar tem a loja de apostas e nem precisa sair na rua, tem uma porta conectando o bar com a loja.
Sábado andei pela ilha. Fui ao ponto mais alto onde estão 2 enormes turbinas eólicas, também com tanto vento.
Na praias da ilha tem placas para não entrar na água. Tem crocodilos de água salgada, chamado de 'salties". São enormes, até 6 metros e agressivos ! Austrália também é famoso pelos tubarões perigosos. Tem até tubarão (bull shark) que se adaptou à água doce e já acharam o bicho 70 km por dentro de um rio ! Mas não pare por ai não ! De Outubro até Maio tem na costa nordeste e norte a água-viva "box jelly fish". Tem tentáculos com um comprimento de até 3 metros com a mesma cor da água. O veneno nestes tentáculos é até 800 mais forte de que o veneno de cobra e mata em 30 minutos por parada cardíaca ! Alguém ainda quer entrar na água ???
8 - 10 Setembro 2003
Parti as 1130 para Gove Harbour no outro lado do Golfo de Carpentaria, distante 340 milhas. Correnteza forte à favor. Estou fazendo 8 nós só com a genoa. Mais tarde coloquei as velas em asa de pombo, vento de Leste 10/15 nós. De novo um avião da alfândega pedindo informações. N o dia 10 as 0300 horas um linesquall com pouco vento e a primeira chuva desde Vanuatu.
11 - 15 Setembro 2003
Ancorei as 1100 horas em 6 metros perto do Gove Yacht Club. O clube é bom, tem bar e restaurante, chuveiro com água quente, maquina para lavar roupa, etc. O bar/restaurante é muito freqüentado pelos locais inclusivo os aborígines. Nesta parte de Austrália tem extensas reservas para eles.
Gove Harbour é um porto para a exportação de alumínio. Tem uma fabrica enorme para transformar o bauxite em alumínio e as minas ficam 20 km distante do porto.
A cidade Nhulumbuy com 4000 habitantes existe em função da fábrica. Na biblioteca tem internet grátis.
Só tem mais um barco estrangeiro (Americano) em Gove Harbour.
16 Setembro 2003
Parti para Darwin distante 450 milhas. Vou viajar durante o dia e parar a noite onde possível. Pouco vento e andei mais no motor. Ancorei as 1700 horas na ilha Wigrem do grupo The English Companys Islands.
17 Setembro 2003
Parti as 0800 horas, vento NE 5/10 nós. Passei pelo "Hole in the Wall". É um "canal" reto e estreito (50 metros) com 1 milha de extensão entre as ilhas Raragala e Guluwuru. Ainda peguei um tubarão pequeno (filhote de reef shark). Parei em Raragala e fui para terra com o bote. Tem uma praia linda. Encontrei vários cangurus pequenos, rápidos e tímidos. Deve ter muito mais bichos. Tem várias pegadas na praia. Não vive ninguém em estas ilhas.
18 - 20 Setembro 2003
Parti as 0800 rumo Oeste. Vento do Leste 10 nós. As ilhas mais próximas são as ilhas Crocodilo distante 70 milhas. Passei as ilhas a noite e continuei velejando.
Todo dia tem um avião da alfândega ou guarda-costas me chamando no rádio. O controle aqui é rigoroso. Tem problemas de pesca ilegal e imigrantes ilegais de Indonésia. No dia 20 ancorei as 1500 horas na ilha New Year por falta total de vento.
Estou com pouca comida abordo, mas ainda tenho farinha de trigo, fermento e um tipo de feijão , tudo ainda comprado no Panamá. Vou fazer um pão incrementado com aveia e orégano. Saiu legal, embora o fermento está fora de prazo. O feijão com cebola e alho também está legal.
21 Setembro 2003
Começou um vento as 0030 de madrugada e levantei ancora para continuar. Todos os dias o sol é muito forte. Ancorei as 1730 na baia Port Essington já de novo no continente.
22 - 24 Setembro 2003
Parti as 0800 horas com pouco vento e mais tarde nada. Estou fazendo 1 nós por causa da correnteza. Já está um calor danado !
Das 0900 até 1200 liguei o motor e depois um vento Ne de 5 nós.
Passei Cabo Don as 1400 horas saindo do Mar de Arafura e entrando no Golfo Van Diemen. Faltam 100 milhas até Darwin.
A partir dai vento de NW 10/15 nós.
No dia seguinte passei as 0300 horas pelo estreito Clarence Strait que interligue o Golfo Van Diemen ao Golfo Beagle. Cheguei na hora errado, correnteza contra de 2 nós e agora com vento fraco estou fazendo somente 2 nós reais. Liguei o motor durante uma hora. As 0700 horas estou no Golfo Beagle com vento W de 5/10 nós, na orça. Cheguei as 1300 horas na frente de Cullen Bay Marina. Em Darwin tem um diferença de maré de até 7 metros e por causa disto a marina tem esclusas para manter o mesmo nível de água. Chamei no rádio e pediram para ancorar e mais tarde encostar no pier externo onde vou ter o barco inspecionado pelo Fishery Inspection. Existe uma praga de "black striped mussel" e todo barco vindo do exterior é examinado. No meu caso um mergulhador para verificar o barco debaixo a áuga . Também tive que desmontar as mangueiras das entradas de água salgada para deixar passar uma solução de água doce com detergente pelos sistemas de refrigeração do motor e sanitário, etc e deixar por 14 horas para matar qualquer coisa que entrou. Felizmente agora é grátis o serviço.
24 Setembro 2003
Entrei na marina as 0900 horas. É um complexo de apartamentos, casas, um shopping com na maioria restaurantes e bares além da marina. É luxuoso mas como está começando o "wet season" de Outubro até Abril com muita chuva e umidade alta, os preços foram reduzidos em mais de 50 porcento e ai está um preço normal. Ficar ancorado fora é pouco pratico por causa da maré.