Volta ao mundo no veleiro TRITON
Janeiro até Março - Cuba - Panamá
1 - 2 Janeiro 2002
Saímos no dia 2 para Cayo del Rosario à 22 milhas. Vento sul, uma velejada boa só com a genoa. Esta chegando outra frente fria sempre acompanhada de ventos fortes do norte, chamado de Northers.
3 - Janeiro 2002
Hoje a ancora soltou 3 vezes por causa do vento forte e ondas. O fundo aqui é areia e muitos plantas subaquáticas (turtle grass) e a ancora Bruce não consegue segurar bem. A previsão do tempo é mais vento de norte até 25 nós. Decidi junto com a Vida Viva mudar para o sul de Cayo del Rosario para ficar mais abrigado e caso a ancorar não segurar ser levado para mar aberto e não encima dos recifes.
4 - Janeiro 2002
A tarde mergulhamos. Em menos de 1 metro de água pegamos uns 15 lagostas de bom tamanho em 2 horas. Tem lagosta sem fim. Mais tarde o vento virou para Leste e estamos de novo menos abrigado. O fundo tem muito coral e a corrente da ancora fica presa neles. Mergulhei durante 1 hora para tentar melhorar a situação. A noite lagosta a vontade. Se amanha o tempo não melhorar vou embora daqui; cada vez mais ondas e o barco está dando trancos por causa do corrente que fica pegando nos corais. Não deu outro, de repente um tranco mais forte e o cabo da ancora partiu ! Marquei a posição no GPS e liguei o motor. Depois chamei a Vida Viva e decidimos que vão passar um cabo para o Triton para ficar na popa da Vida Viva. Deu trabalho para me aproximar e pegar o cabo com as ondas altas. Amanha vamos buscar a ancora e os 30 metros de corrente. Já decidi que vou comprar mais 30 metros de corrente. Também nunca mais vou ancorar em lugar com muito coral.
5 - Janeiro - 2002
De manha pegamos a ancora e corrente de volta do fundo do mar. Saímos as 1100 horas rumo a Cayo Avalos e chegamos as 1600 horas. Fundo de areia, nada de coral ! Não da para mergulhar, a água é muita leitosa.
6 - Janeiro - 2002
O vento rodou quase 360 graus durante a noite. Vamos esperar a previsão de 1100 horas para definir para onde vamos. Saímos para Cayo Matias. O vento parou uma hora mais tarde e continuamos no motor. Entramos por uma abertura no recife e ancoramos em 4 metros. Fundo de areia com turtle grass.
7 - Janeiro - 2002
Vamos embora para o ponte leste da Isla de la Juventud (Isla de Pinos) distante somente 8 milhas. Cheguei as 1300 horas. Nos recifes lagosta sem fim em profundidade de menos de 1 metro !
8 - Janeiro - 2002
Visitamos a estação meteorológica. Tem 4 Cubanos que ficam durante 1 semana. Pessoal muito legal. A praia aqui é bonita e tem pinheiros (Isla de Pinos). A tarde de novo mergulhamos. O lugar é lindo, muito coral, uma barracuda de 1,50 metros, alguns tubarões pequenos tipo Reef Shark. Peguei 4 lagostas de bom tamanho.
9 - 10 - Janeiro - 2002
Parti as 1700 horas rumo a Punta Frances no lado Oeste da Isla de la Juventud, distante 50 milhas. A Vida Viva mais rápido vai amanha. Vento N/NE 10/15 nós. Só com a genoa para não chegar rápido demais, já que quero chegar com a luz de dia. Cheguei as 0815 e ancorei em 4,5 metros, fundo de areia.
11 - 12 - Janeiro - 2002
Fizemos um mergulho de garrafa no ponto onde a profundidade muda de 12 metros para 300 metros. Parece um muro de coral. Mergulhamos até 40 metros. Não tem muito peixe e nenhuma lagosta nas águas mais fundos ! A tarde um barco de pesca lagosteira parou perto da gente. Fui visitar o pessoal, bater um papo e em troca de 1 garrafa de rum e 3 maças de cigarro recebi 6 lagostas !
13 - Janeiro - 2002
A Vida Viva partiu para Gerona na parte Norte de ilha à 35 milhas de motor. Achei longe demais e vou amanha para a Marina Colony na baía Siguanea. Achei uma estrada de terra atras da praia indo por dentro da mata. Legal , vou andar. A alegria durou pouco. Uma verdadeira ataque de mosquitos e voltei as pressas para o mar.
14 - 16 Janeiro - 2002
Rumo para a Marina Colony distante 17 milhas. Pouco vento e tudo no motor. Na chegada recebi a Guarda Fronteira e a Capitania dos Portos para fazer o clearance. No dia seguinte peguei o ônibus para Nueva Gerona para fazer compras de frutas e verduras (até agora não encontramos nada disso em Cuba. O preço do ônibus para estrangeiros é us$ 3,00 e para os Cubanos 1 peso (us$ 0,03). O salário médio dos Cubanos é somente us$ 20/mês, porém tudo é subsidiado ou de graça, como escolas, saúde, casa, etc.
Em Gerona encontrei Francisco da Vida Viva no banco e ele me convidou para passar a noite no barco dele. Fizemos um passeio de carro com cavalo para o presídio onde Fidel Castro ficou preso e depois para uma praia. Almoçamos numa casa de Cubanos. Muitas casas tem uma licença do governo (pago) para funcionar como restaurante e assim ganhar alguns dólares Americanos. Tudo que é importado esta disponível para os Cubanos, porem somente pagando em Dólar. Nas lojas que aceitam pesos tem pouca coisa para comprar. A noite passamos no caso do pescador Jorge do barco lagosteira de Punta Frances. No dia seguinte compras de frutas e verduras na feira. Aqui os preços são em pesos e tudo muito barato embora não tem muita variedade.
17 - 19 Janeiro - 2002
Sai as 1100 horas rumo a Cayos los Indios distante 20 milhas. Vento fraco e cheguei as 1730 horas. Fundo areia com capim. A Vida Viva chegou as 1830 de Gerona. No dia seguinte rumo a Cayo Real à 25 milhas. Fundo cheio de coral, levantei a ancora e ancorei mais por fora em 7 metros com um fundo melhor. Tem marola (swell). Uma noite ruim. Sai as 0800 rumo Enseada de Cortes à 20 milhas. Se lá também tem swell vou prosseguir a viagem direto para Habana. Cheguei as 1300 horas. Decidi não ficar, ancorei para aprontar o barco para a viagem para Habana distante 270 milhas. Ainda tive que subir no mastro porque a adriça do grande escapou da roldana. Sai as 1430, primeiro para Oeste para contornar o cabo San Antônio e entrar no Golfo de México e seguir para Leste para Habana.
20 - 22 Janeiro - 2002
A Vida Viva ainda vai parar em Maria la Gorda. Passei o cabo San Antônio as 1100 horas e o vento até agora é E/ENE 10 nós e bom tempo. A previsão é o vento mudar mais tarde para E/SE/S o que seria bom. Deu certo, e agora estou indo direto para Habana. À 40 milhas de Habana o vento mudou para Leste e esta na cara, portanto vai ser cambando até chegar. O vento aumentou para mais de 20 nós e o mar está mais confuso. Cheguei na Marina Hemingway as 1000 horas. Recebi o pessoal de sempre para a clearance e na inspeção acharam um saco com roupa de Tereza. Foi anotado tudo e lacrado. Devem pensar que ia dar as roupas para as Cubanas !
23 - Janeiro - 3 de Fevereiro - 2002
Tentei ir de ônibus para Habana mas é impossível. No ponto tinha uns 40 pessoas. Depois meia hora chegou um ônibus, porem não é o meu. Mas meia hora chegou o ônibus número 420 lotado. Tem uns 20 pessoas para entrar e 5 conseguirem. O taxi para estrangeiros (carros novos) para Havana custa us$ 18,00. O taxi para os Cubanos (Ladas Russos velhos) custa 10 pesos por trecho. Seria até Habana uns 30 pesos (pouca mais de 1 dólar), porem em teoria são proibidos para os estrangeiros. Ainda tem os taxis particulares (Carros Americanos dos anos 50) e os taxis ilegais. Peguei um taxi ilegal e combinei us$ 7,00 para ir até o banco para comprar us$ 25,00 de selos para a vista , ir para a imigração para renovar a vista e depois me levar até Habana Vieja.
A Vida Viva chegou no dia 25 e pegou vento muito forte e mar muito alto.
Em Habana visitei o museu de la Revolucion (antigo Palácio do Presidente) onde também está o famoso barco Granma, usado por Fidel Castro para iniciar a guerrilha a partir de México para Cuba.
Almocei no bar Monserrate, tradicional. Tudo em us$. Habana vieja é muita interessante. A maioria dos prédios para morar estão em péssimo estado por falta de manutenção. Cuba é um pais muito interessante. Fidel Castro (sempre chamado de "El comandante en jefe") realmente acabou com a pobreza, a corrupção e os sistemas de educação e saúde são excelentes. A segurança também é muita boa. Pode-se andar em qualquer parte de Habana dia e noite. Tem bastante policiais discretos , sempre com rádio porém sem arma. O sistema comunista não está funcionando na economia. Falta de tudo e nas lojas normais não tem leite, ovos, muita pouca carne e quase sempre só porco, e mais incrível falta de açúcar (tudo é exportado)! Tem leite barato para as mães com criança pequena e muitos outros produtos racionados usando livrinhos para receber a cota mensal. Nas poucas lojas de Departamento também tem quase nada. Tem as supermercados e lojas com produtos importados como eletrodomésticos que só aceitam dólar e onde se pode comprar quase tudo (um litro de leito Cubano us$ 2,20). Isto para o Cubano pouco adiante com o salário de us$ 20/mês. Para conseguir mais dólares existe a opção em trabalhar no turismo e receber gorjetas e por exemplo um taxi ilegal ou ter um parente no exterior que manda dólares. Os Cubanos podem ter dólares e tem muitas casas de cambio e existe até poupança em dólar com juros menores.
Tem um excesso de funcionários em todas as estatais e gente a menos na área produtivo. É comum nas lojas estatais ter 4 ou 5 funcionários para vender 3 ou 4 produtos e sem clientes. Existe uma certa abertura do mercado : os restaurantes particulares em casas; aluguel de quartos em casas, frutas e legumes de hortas particulares, etc. Em Habana tem muitas casarões bonitas. Tudo pertence agora ao estado e as casas são alugadas para empresas estrangeiros e funcionários estrangeiros e também são usados pelos estatais Cubanos . Os Cubanos moram em as casas existentes antes da revolução. As casas e apartamentos novos são do tipo popular como no Brasil. Outro contraste forte são os carros. A cor da placa identifique o uso: amarelo particular, azul e verde estatal, cor de laranja empresa estrangeira e preto diplomata. Os carros particulares são os carrões americanos , tipo banheiro, dos anos 50 e muitos carros da antiga União Soviético e leste Europeu como Lada, etc. Nos carros estatais tem muito carro novo importado, os carros das empresas estrangeiros e dos diplomatas são tipicamente Mercedes, BMW. Audi, Pajero, etc.
As empresar estrangeiros existentes no país vendem produtos para os estatais ou são joint-ventures com empresas estatais de Cuba. De Brasil tem por exemplo o Buscar/ MarcoPolo para a montagem de ônibus em Cuba. Quase todos os ônibus de turismo são desta marca e também esta começando a produção de ônibus urbano.
Para o turista Cuba é caro comparada com América latina. Embora o pais é comunista aplicou-se a velha lei da economia capitalista: onde tem monopólio pode se pedir o preço que quiser. Como as empresas turísticas, restaurantes normais , bares, taxis bons, etc são do estado não existe concorrência. Um exemplo: precisei de um remédio. Na farmácia para estrangeiros o produto (Espanhol) custa us$ 9,90. Na caixa tem o preço em Pesetas de Espanha; o equivalente a us$ 1,50).
Fiz uma excursão para Pinar del Rio para visitar uma fábrica de charutos, a vale linda de Vinales , grutas e conhecer o interior de Cuba. Tem muitas plantações de cana de açúcar, tabaco, etc, e todas são cooperativas no sistemas comunista. A paisagem é bonito porque sempre tem muitas palmeiras (palma real), arvore nacional de Cuba.
Gostei muito de Cuba, um país muito interessante e um povo muito simpático e alegre.
No barco tudo esta funcionando bem com manutenção em dia e pretendo sair no dia 4 de Fevereiro. Devo ser o único barco Brasileiro para continuar este ano para o Pacifico. O Scirocco está voltando para a Costa Brasileiro para continuar velejando por lá, o Alexandre, filho de Walter e Regina do Azular tem uma doença de osso e precisa de um tratamento de 2 anos no Brasil para curar e só depois eles pretendem continuar a viagem e a Vida Viva pretende ficar mais um ano no Caribe. O Big Blue e Ideafix nunca tiveram intenção para continuar para o Pacifico e o San Miguel nunca está na freqüência de Dona América.
4 - 10 Fevereiro 2002
Me despedi de Francisco, Suzanne, Eduardo , Isabela e Marcela de Vida Viva. Paguei a conta da marina e ainda cobraram 10 % de taxa de serviço. Ficou em us$ 20 por dia, bastante caro, porém em Habana não tem ancoragem. Cheguei no pier de imigração as 0945 e sai as 1100 horas rumo Isla Mujeres distante 270 milhas. No primeiro dia vento Norte no traves. No Segundo dia o vento mudou para NE e mais tarde coloquei asa de pombo com a genoa com pau de spinaker durante 12 horas. A noite o vento mudou para E.
No terceiro dia ou vento aumentou para 25 nós e coloquei 2 rizos na grande e a genoa tambem reduzido. Tem uma correnteza muito forte entre Cuba e México (Canal de Yucatan) chegando a 4 nós. Peguei por volta de 1100 horas: rumo na bússola 240 graus, real 280 graus. Velocidade no log 6 nós, real 3 nós. É a correnteza ! Cheguei as 1730 e a carta náutica impresso com o software Maxsea não bateu com a realidade. Tinha um erro de 0,5 milhas no longitude, bastante perigoso porque a entrada para Isla Mujeres está cheio de bancos de areia. No dia seguinte fui para terra para fazer o clearance: imigração, Min de saúde, alfândega, capitania dos portos e Min de agricultura. Como a cidade e a ilha são pequenas da para fazer tudo a pé. Só na alfândega o cara implicou. Informou que precisa de uma licença temporária para importar o barco somente disponível em Cancun, preciso colocar o barco na marina para ele inspecionar , porém a alfândega tem solução para tudo! Dei 50 pesos (us$ 5) e era a solução. É o famoso criando dificuldades para vender facilidades. A instituição da "propina" é famosa no México.
A noite falei com Howlie que está no seu barco Annie entre Ilhabela e Angra. Boa propagação ! Achei a válvula de bronze de 1,5 polegadas e instalei no escape do motor . Agora nunca mais vai entrar água !!!
Isla Mujeres é muito turístico , fique perto de Cancun e todo dia vem os turistas de ferry-boat inclusivo muitos Americanos gordos de cor branco pastoso. Neste época as pacotes turísticas dos Estados Unidos para México são muita baratas.
Vou sair no dia 12 direto para as ilhas San Blas no Panamá. Dei saída, mas us$ 17 para a capitania dos portos.
12 - 20 de Fevereiro 2002
Sai as 0720 para Porvenir San Blas distante 820 milhas. Vento ESE 15/20 nós , portanto na orça. De novo correnteza forte :
Bússola 160 graus real 110 graus
Velocidade no log 6,5 nós real 5 nós
Peguei um atum. Virou sashimi e feixe frito. No dia seguinte um dourado que infelizmente escapou.
Durante 3 dias vente SE ou ESE, enquanto o normal é E ou NE. Resultado, fiquei muito para Oeste e andei pouco.
Peguei outro dourado grande porém a força arrancou a mandíbula e o bicho escapou. No dia seguinte um atum grande. Deu trabalho para colocar a bordo. Só tirei o filé, é peixe para 2 dias; sashimi e ensopado. Estamos perto de Honduras e o vento mudou finalmente para NE. Agora preciso contornar Cabo Gracias a Dios. Este nome deve ser dado pelos Espanhóis no século 16; subir com os barcos daquela época de Cuba/México para Panamá deve ter dado muito trabalho com ventos e correnteza contra, portanto chegando no cabo é para dar graças ao Deus mesmo ! Neste cabo tem muitos recifes e bancos de areia até 200 milhas da costa. Vou passar perto e a passagem mais estreito é entre o Recife Edinburg e Cayos Miskitos com largura de 6 milhas. No dia 6 passei a 1 milha da ilha San Andres que pertence a Colômbia embora fica muito mais perto de Nicarágua. No dia 7 vento forte de 30 nós e mais ainda nas rajadas. Mar de 3 à 4 metros. Um noite de dormir pouco porque também estou nas rotas dos navios saindo de Panamá. No dia 8 muitas ondas e um swell de NE e SE. O resultado são de vez em quando ondas altas quando o swell dos 2 se juntam. Cheguei as 1730 em Porvenir de San Blas onde está o barco Eclipse com Max da Holanda (já tinha falado com ele no rádio SSB e conhecia ele também de Trinidad).
21 - 22 Fevereiro 2002
Fiz o clearance, fácil. Porvenir não é uma cidade, somente um aeroporto pequeno para aviões menor de que Bandeirante, um hotel muito simples, um posto de imigração e alfândega, um bar/restaurante, algumas barracas para navios de cruzeiro e mais nada. Na ilha de outro lado tem uma aldeia de índios Kuna. O clearance custou us$ 102,50 principalmente por causa do "cruising permit"de us$ 60,00. O arquipélago San Blas ou Kuna Yala é semi-independente de Panamá. São 365 ilhas (interessante, Angra dos Reis também tem 365 ilhas, número bonito igual ao número de dias no ano). Aqui vivem os tribos Kuna descendente dos índios Carib. Os índios vivem de pesca e também de artesanato. Famoso são as "molas", panos decorativos de tecidos costurados a mão com desenhos coloridos.
Hoje um inglês vem falar comigo. Um barco inglês com bandeira do Brasil ? Como ? A historia é o seguinte: O famoso fabricante inglês Nicholson construi este tipo de barco, o cruiser/racer Nicholson 345, porém não era um sucesso de venda na Inglaterra por causa do preço alto comparado com barcos de tamanho similar.! Eu sei que o fabricante Brasileiro Control tinha comprado os moldes (necessário para fazer um barco em fibra) na Inglaterra, então o Nicholson vendeu os moldes para Control e o barco Brasileiro Fast 345 era um sucesso de vendas no Brasil !
23 - 25 Fevereiro 2002
Partimos para os Cayos Holandesas à 18 milhas. Lugar bonito com praias, coqueiros, recifes, etc. Encontrei outro barco Holandês, o Serenity com Bas e Reina a bordo. Já decidimos que vamos ajudar um a outro para passar pela canal de Panamá. Depois para Green Island. Na ilha uma família de índios com 5 filhos. Simpáticos e falam um pouco de espanhol.
26 Fevereiro 2002
Hoje para Village Rio Diablo, uma aldeia de índios distante 5 milhas. A navegação nas ilhas San Blas é muito no visual, já que tem recifes e bancos de areias maior de que consta nas cartas. Visitei a aldeia. A maioria das casas e feita de bambu e palmas. Encontrei Frederico, um índio guia. Existem 22000 índios Kuna no arquipélago. A noite voltei para a casa de Frederico com uma garrafa de Rum. Na aldeia tem uma igreja católica, maternidade, escola e até um banco. Tem um gerador de luz e bicos de água em vários pontos na aldeia.
27 - 28 Fevereiro 2002
Parti para Mangles Channel Islands distante 5 milhas. Hoje falei com o barco Bora (Marco, Italiano e Adriana , Brasileira , conhecidos de Trinidad) na Panamá Net, 8107 KHz SSB. O mergulho aqui é bom com muito coral e vi uma garoupa de bom tamanho. Tem quase nenhum peixe bom de comer nos recifes, só muitos peixes coloridos. Voltei no outro dia com a arpão e vi a garoupa de novo. Porém ele também me vi e logo se escondeu debaixo das pedras. Ainda vi uma raia pintada linda. Parti as 1000 para Moron Channel island, distante 9 milhas. De repente o motor acelerou sozinho. Desliguei o motor e joguei a ancora, estou perto de um recife. Felizmente um defeito simples, um parafuso de ajuste no acelerador do motor estava solto. Só ajustar e fixar e pronto.
Cheguei as 1200 horas e mergulhei. De novo vi uma raia pintada maior.
1 - 2 Março 2002
Parti para a aldeia Carti à 12 milhas. Cheguei e foi recebido por John e Ernesto, que logo queriam mostrar a aldeia e ajudar fazer compras. Entrei num restaurante para comprar tomates e tinha uns 8 índios de camisa com gravatas pretas e chapéu tipo Panamá. São os chefes (também chamado de caciques) de várias aldeias numa reunião. Achei estranho eles usar roupas estilo Europeu para mostrar que são os chefes ! A noite voltei para jantar no casa de John, arroz, lentilha, galinha, banana frita e mandioca frita, tudo por us$ 1,25.
Na ilha não tem água. Todo dia as canoas vão para o continente à 500 metros para subir num rio e buscar água doce. Parti no dia seguinte para Chichime , vento contra, levei 3 horas. Chichime é lindo com praias e recifes. Encontrei o barco Holandês Bagoas com Tom e Peter. Tom também era telegrafista. Já estão aqui 4 anos e conheçam tudo.
3 - 4 Março 2002
Parti para Porvenir. Amanha vou junto com Eclipse para Colon à 80 milhas, Bagoas já parti e Serenity vai chegar depois. Saímos as 1130, vento 20 - 25 nos NE; 2 rizos no grande e genoa reduzido. Pretendo chegar de madrugada. O barco andou tão bem que cheguei as 0100 horas de madrugada, somente 1 hora depois de Eclipse , um barco de 50 pés. Max não acreditou que o Triton andou tão bem.
Ancorei nos "Flats", um lugar reservado para veleiros. Colon é a entrada para o canal de Panamá.
5 - 27 Março 2002
O clube é muito legal. Bar e restaurante bom e barato. Consegui comprar de um barco 20 metros de corrente novo por somente us$ 50,00 e de um outro barco uma ancora CQR de 20 kg por us$ 100,00. Tenho agora 3 ancoras, o CQR, um Bruce de 15 kg e um Danforth de 10 kg. Chegou o barco Saoirse (Liberdade em Irlandês) com Brian e sua esposa a Brasileira Marta, conhecidos de Trinidad. Tenho um monte de coisas para fazer para preparar o barco para o Pacifico, já que até Nova Zelândia tem poucos recursos ou quando tem muito caro. Vou abastecer comida e bebida para 7 meses, filtros para o motor, óleo lubrificante e assim vai. Max do Eclipse pegou 2 tripulantes Holandês, Joost e Martijn, pessoal legal.
Colón e uma cidade feia com muitas favelas verticais de 3 ou 4 andares e muita lixa na rua. Nas 3 avenidas principais tem lojas de tudo e qualquer tipo, a maioria Chinês. Da para comprar tudo. Ainda tem a zona franca onde comprei as bebidas com preços excelentes. Chamei a Panamá Marine para fazer a revisão na balsa salva-vidas e chegarem na mesma dia. No dia seguinte fui até a oficina para ver a balsa inflada. Tudo ok, preciso trocar foguetes, água potável e rações. Amanha vou receber a balsa de volta; que diferença com o serviço porco em Trinidad. Custou us$ 325,00 para a inspeção e certificação e mais us$ 240,00 para os itens trocados. Para passar pelo canal precisa ter 4 pessoas, além do capitão para o manuseio dos cabos para atracar nas esclusas. Podem ser contratados a us$ 50,00 por pessoa por dia. Portanto para não ter esta despesa é bom ajudar um a outro. No dia 19 ajudei o Serenity junto com Martijn e Joost como "line-handler". O piloto Tony veio abordo as 5 horas de madrugada. Parece um cara de uma banda Rap, óculos escuros e um chapéu preto estranho. Durante a viagem só ficou no celular ou até dormi...... O canal tem as 3 esclusas "Gatun Locks" no lado do Caribe, onde o barco vai subir 28 metros para o lago Gatun. No lado do Pacifico tem as esclusas Pedro Miguel Lock (1) e Miraflores (2) . A distância total é 80 quilômetros. A passagem pelas esclusas foi muito tranqüilo . Tivemos a sorte de ter na frente um navio cruzeiro a vela de 4 mastros , o Wind Star e o hélice deste barco fazia pouca turbulência, o que é o maior perigo para os veleiros pequenas nas esclusas. Passamos pelo ultima esclusa as 1600 horas e abrimos uma garrafa de Champanhe. Estamos no Pacifico !!!!!!!!!!
Dormimos no barco e no outro dia fizemos compras em Panamá City onde tem lojas boas de náutica e pesca. A noite voltamos de ônibus para Colón.
No dia 22 o "Panamá Canal Authority" veia bordo para medir o Triton. Recebi o certificado com o número 3002000, que número legal ! Este certificado deve ficar com o barco e quando o barco quer passar pelo canal é só informar o número. A tarde para o Citibank para pagar us$ 550,00 (500 para passar pelo canal e 50 para a medição. É o preço para um barco até 15 metros). Também depositei us$ 900,00 como caução. Caso o Triton causa danos eles já tem o dinheiro para descontar..... Achei até engraçada , a chance de eu ter danos causados pelas esclusas e bem maior...
Este dinheiro é devolvido com um cheque enviado para casa em 1 mês.
Um navio típico paga em torno de us$ 45.000,00 enquanto o recorde é de um navio enorme que pagou us$ 184.114,80 em 2000.
Os preços aumentarem muito desde que os Americanos entregarem o canal para Panamá. A partir de Maio os veleiros com velocidade de motor inferior à 8 nós tem que pagar um adicional de us$ 420,00. Isto quer dizer que quase todos os veleiros vão pagar; a maioria só anda entre 5 e 7 nós.
A noite liguei para saber o dia que vou passar pelo canal : vai ser Quarta-feira no dia 27; exatamente como queria.
Liguei no dia 26 para confirmar minha passagem pelo canal e a passagem foi remarcada para o dia 28. Tem muito veleiro em atraso no canal. No dia 27 foi confirmado minha passagem pelo canal para o dia 28 Quinta-feira partido as 0415 de madrugada. Fiz o "clearance" para as ilhas Galápagos embora devo ficar uns dias em Balboa no outro lado. Tenho como "line-handlers" para a passagem pelo canal Joost e Martijn do barco Holandês Eclipse, John do barco Americano Sweet Sixteen e Andrew do barco Inglês Norwegian Blue.
28 - 29 Março 2002
Chamei as 0415 no VHF para confirmar a nossa saída. Informaram que vai ser as 0545, porem as 0500 recebi outro chamada para sair do yacht club e ir para os "flats" para receber o pratico (piloto) do barco de praticagem. Partimos e embarcou o pratico Rod. Continuamos para as esclusas Gatun Lock. Entramos junto com um navio de cargo e mais dois veleiros, um de Alemanha e outro de US Virgin Islands. Atracamos uns a outro (rafting) para entrar junto e passamos 4 cabos para terra. Passamos pelas 3 esclusas e continuamos no Gatun Lake para o outro lado onde ficam as esclusas Pedro Miguel e Miraflores. De novo passamos sem problemas e ancoramos as 1600 horas na baia Flamenco (perto de Balboa e Panamá City) onde estão os barcos Eclipse, Serenity e Saoirse. Distância total 39 milhas em 11 horas com motor ligado o tempo inteiro e sem problemas ! Abrimos uma garrafa de champanhe para festejar nossa chegada no Pacifico. A noite todo mundo no Triton para continuar a festa com muita cerveja. No dia seguinte para o supermercado (único aberto na Páscoa) para comprar frutas, legumes , etc.
Continuação na parte 2