Volta ao mundo no veleiro TRITON
       



Janeiro até Agosto - Trinidad - St. Maarten - Trinidad

01 - 09 Janeiro 2001

Tenho uma lista de 30 itens para fazer (instalar equipamentos, reparos, etc.).
Instalei em 2 dias os novos paneis solares. Fiz uma estrutura de alumínio em cima da targa para a instalação. Ficou ótimo. Instalei o conjunto de geladeira (compressor e evaporador). Gastei mais 2 dias para instalar a geladeira. O evaporador na caixa de gelo existente e o compressor ao lado onde ficava o compartimento para o saco de lixo. A geladeira funciona bem e sem barulho algum, porém bastante consumo de energia. Descobri que a caixa de gelo só tinha isolação térmica no lado do motor e nada entre as antepares e o casco. Comprei duas latas de espuma expansível e fiz alguns pequenos furos para injetar a espuma. Deve melhorar bastante.
O tanque de água tem 2 divisores para evitar que a água faça muito movimento com o barco andando. Os dois se soltaram e a água batendo de um lado para o outro, fazendo muito barulho. Desmontei o sofá para ter acesso ao tanque e fiz mais uma abertura no meio do tanque (já existem 2 nas extremidades) para ter acesso para recolocar os divisores. É uma boa oportunidade para aprender a trabalhar com fibra de vidro, epoxi e resina. Coloquei duas mantas de fibra de vidro com 4 camadas de epoxi em 4 dias, já que o tempo de secagem é de 24 horas por camada. Duvido que vai soltar de novo. Na abertura feita no meio instalei mais uma porta de acesso.

10 janeiro 2001

Hoje passamos de carro com Richard e Melanie do barco Ingrid pela ilha. Quase não tem praias. No extremo sul existe um lago enorme de asfalto líquido (Pitch Lake). O asfalto é tratado e exportado para o mundo inteiro. O lago está 10 metros abaixo o nível do mar, mas ainda existe tanto asfalto que deve dar para 400 anos.
No interior da ilha tem muitas plantações de cana de açúcar. No lado leste praias muito estreitas e um mar bem forte por causa do vento leste. Fora disso não tem muitas coisas interessantes em Trinidad.
13 Janeiro 2001

Hoje vamos passear uma semana de barco. Primeiro destino Scotland Bay, distante somente 3 milhas de Chaguaramas. À noite falamos com o barco Azular na freqüência de Dona América. Eles estão em Guiana Francesa e devem chegar em Trinidad em breve. Estamos encostado junto ao barco Ingrid e à noite fizemos um churrasco junto com mais um barco de África do Sul (Out of Africa).

14 Janeiro 2001

À noite estamos no barco "Out of Africa" jogando cartas quando ouvimos buzinas de outros barcos. O vento tinha aumentado e a âncora do "Ingrid" estava arrastando e com isto indo para terra junto com nosso veleiro. Voltamos para o barco e decidimos separar os barcos e ancorar por conta própria.

15 Janeiro 2001

De madrugada descobrimos morcegos entrando e saindo do barco. Fechamos todas as gaiutas. De manhã tinha uma banana que estava do lado de fora, comido pela metade pelos bichinhos. Partimos para a ilha Chacachacare distante 6 milhas. São várias ilhas na Boca do Dragão. Ancoramos em 4 metros. Na ilha tem várias casas e até mansões abandonadas. Na água poucos peixes e corais.

16 Janeiro 2001

Visitamos a colônia de leprosos abandonado. Tem casas, uma igreja, uma casa com um gerador, etc, tudo caindo aos pedaços. Imagina-se que seja da época da colonização inglesa. Subimos uma estrada de uns 2 km até o farol da ilha. Tereza desistiu no meio do caminho e continuei com Richard e Melanie. Fomos recebidos pelo faroleiro Jerome e subimos no farol. Na ilha somente tem 2 pessoas, os 2 faroleiros que são substituídos a cada semana. Uma vista maravilhosa da Boca do Dragão e Venezuela no outro lado. Depois partimos para um convento de freiras também abandonado.

17 Janeiro 2001

Saímos para a Baía San Francisco na Venezuela, distante 21 milhas. Normalmente é necessário fazer o "clearance" de saída. Decidimos não fazer nada disso, já que estamos indo para uma baía despovoada e depois voltaremos para Trinidad,. Chegamos à tarde. Lá tem uma praia pequena e muita mata.

18 Janeiro 2001

Partimos para a Baía Uquire onde tem um pequeno vilarejo de pescadores. Dois rapazes foram até o barco para falar conosco. Só tem umas 20 pessoas morando aqui. Não tem estrada nem luz. Passamos com os 2 dentro da mata para catar pitu num riacho. Pegamos 6 grandes.

19 Janeiro 2001

Saímos às 05:30 horas para voltar para Trinidad e chegamos às 11:30 horas ancorando em frente da Marina Peakes.

20 Janeiro 2001

Hoje chegou o barco Azular da Guiana Francesa. À noite uma festa de boas vindas com vinho e queijo francês. De todos os barcos que iam para o Caribe, são até agora somente 3 (Scirocco, Azular e Triton). Todos os outros desistirem...

21 - 31 Janeiro 2001

Existem aqui muitos Americanos com barcos que aparentemente nunca saíam de Trinidad. Ficam no píer e usam os barcos como se fosse um trailer. Só voltam para os Estados Unidos de avião para visitar a família. Todo dia às 08:00 horas tem uma conferência no canal 68 VHF com mensagens, atividades sociais, previsão de tempo e anúncios de troca de equipamentos, etc. Já peguei de graça cartas náuticas do Caribe e estou tentando conseguir uma vela genoa número 3 usada. Atividades sociais são excursões, noite de filme, troca de livros, shows, compras em supermercado com transporte grátis, etc...
Tudo muito legal, porém efetivamente parece que estamos mais num subúrbio americano de que em Trinidad!


1- 6 Fevereiro 2001

Tudo no barco está consertado e estamos pronto para zarpar com destino a Grenada. Vamos junto com os barcos Brasileiros Scirocco e Azular. Trinidad foi bom para trabalhar no barco.

7 Fevereiro 2001

Gastei 2 horas na emigração e alfândega para obter o "clearance". Abastecemos de diesel e água e saímos rumo a Grenada às 16:00 horas. Vento ENE de 25 à 30 nós, portanto orçando. Contatei em 3.815 KHz o Carribean WX net e bati um papo com os radioamadores e peguei a previsão de tempo.

8 Fevereiro 2001

O vento continua forte e o progresso é lento já que temos correnteza contra. De madrugada chuva com vento forte que rasgou o bimini! Chegamos às 14:00 horas em Prickly Bay em Grenada, portanto uma média de somente 3,8 milhas (84 milhas total). O "clearance" foi bem rápido. Somente o cara da alfândega estranhou que tinha 20 pacotes de cigarros abordo. São 4.000 cigarros, é isso mesmo?
Sim, minha esposa comprou um estoque no Brasil para durar 1 ano. Alfândega: Ela nem deve fumar, faz mal!
Eu: Concordo plenamente com o senhor! Alfândega: Bem, vamos deixar, tá liberado!
Paguei somente as taxas comuns de entrada e permanência (US$ 20). Prickly Bay é uma baía pequena ao Sul de Grenada com uma marina e uma praia pequena.

9 Fevereiro 2001

Costurei o bimini e limpei o fundo do barco. As 2 semanas ancoradas em Chaguaramas deu muitas cracas pequenas, porém saíram do casco com pouco esforço. À noite começou uma música alta de um bar/restaurante até 3 da madrugada. Não vamos ficar aqui.

10 Fevereiro 2001

Partimos de motor até Secret Harbour perto de Hog Island. Não tem casas ou restaurantes, só mata e uma praia pequena. Vai ser bem tranqüilo.

11 - 12 Fevereiro 2001

Andamos por uma trilha em volta da baía e a tarde mergulhei em um recife perto. Muitos peixes pequenos e um barracuda. Nada de lagosta que falam que tem por aqui.

13 - Fevereiro - 2001

Saímos de Secret Harbour/Mount Hartman Bay para o Leste para Clark Count Bay. Não tem praias, só mangue. Seguimos para Egmont Bay porém o mar estava forte e ventos até 30 nós, decidimos voltar para Prickly Bay. O bom é que com os paneis solares mais o gerador eólico temos energia de sobra, mesmo usando a geladeira, computador, televisão, etc.

14 Fevereiro 2001

Saímos de Prickly Bay para a capital St. George. São somente 9 milhas, já que a ilha é pequena. Chegamos às 15:30 horas e a cidade é pequena e bem pitoresca. Ancoramos bem abrigados em The Lagoon.

15 - 18 Fevereiro 2001

Passamos de van para Grand Etang Forest Center à 600 m de altura onde fica Grand Etang Lake, um vulcão extinto cheio de água. Tem uma trilha em volta do lago em péssimas condições, já que tem muita lama. Gastei 2 horas além de cair e sujar toda roupa. Tereza desistiu com razão. Outra emoção é a viagem de van: excesso de velocidade, sempre cabe mais um e som reggae em volume alto!
Sábado é dia de feira em St George. Muito colorido e grande variedade de frutas e legumes. À tarde para a praia Grande Anse perto de St George.
No Domingo íamos para Concord Falls, porém a cidade estava completamente deserta, tudo fechado e também sem vans. Voltamos para a Grenada Yacht Club onde usamos a infra-estrutura do clube, como chuveiros, píer para o bote, bar, etc, pagando uma pequena taxa.

19 Fevereiro 2001

Hoje de novo para Concord Falls. A van deixou a gente na entrada para o morro. É uma subida de 2 km e Tereza preferiu não ir. Cheguei e tomei um banho refrescante no lago junto a queda da água. Existe mais uma queda seguindo uma trilha de 30 minutos. A trilha é muito boa no início, porém depois fica cada vez pior e perdi 2 vezes o caminho até chegar a Fointainbleu Falls. A queda tem uma altura de 22 metros e é bonita. A volta agora descendo é rápido. E Tereza, o que ela faz neste tempo? As pessoas falam com ela e deve ser engraçado já que o inglês dela é muito limitado. Hoje um rapaz começou a falar com ela dizendo o nome : Tereza name Tereza.
Depois o rapaz falou um monte de coisas apontando para cima. Tereza mostrou o dedo de anel dizendo em Português que o marido estava lá e que ela estava esperando aqui, usando os braços para explicar. Parece que o rapaz entendeu. De qualquer maneira o povo de Grenada é muito educado e simpático! Sempre trata a gente bem ajudando em tudo. Outra coisa interessante são os barcos estrangeiros que já passaram no Brasil. É só ver a nossa bandeira e eles gritam "Bom Dia". Os "gringos velejadores" que passarem pelo Brasil sempre falam que adoraram o Brasil e o seu povo. (Por favor ninguém mande e-mail dizendo que eu também sou gringo)

20 Fevereiro 2001

Hoje encontramos Pedrão, capitão contratado do barco Excalibur, cujo dono é Brasileiro. Já conheci o Pedrão pelo rádio de Dona América. Comprei hoje na loja de peixe um pedaço de lula. Era somente uma fatia de uma lula com comprimento de pelo menos 1 metro!

21 Fevereiro 2001

Abastecemos de água (o clube cobrou us$ 3,00 por 200 litros e informou que estava barato, já que para frente é 3 vezes mais caro !). Saímos às 10:00 horas com destino a Carriacou, uma ilha a norte de Grenada que faz parte do país. Até meio dia tudo bem embora o vento estava contra. Depois piorou com correnteza contra e mar picado. Decidimos ancorar numa pequena enseada em Grenada. A água é muita clara com muito coral. Fui mergulhar e vi uma tartaruga e um cavalo marinho.

22 Fevereiro 2001

Saímos às 07:00 horas. Chegamos em Carriacou somente às 17:30 horas por causa do vento e da correnteza. Portanto 12 horas para uma distância de somente 20 milhas em linha reta!
Ancoramos em Tyrell Bay. Tem mais 3 barcos Brasileiros : Scirocco, Azular e Vida Viva, um barco de 24 metros com Francisco, Eduardo, Suzanne e 2 filhas pequenas.

23 Fevereiro 2001

Fui com Walter fazer caça submarina. A água está limpa e muitas rochas e corais. Peguei um badejo pequeno e uma lagosta. O jantar está garantido.

24 Fevereiro 2001

Saímos de barco até Sandy Island distante somente 3 milhas de Carriacou. É uma maravilha. Praia linda, coqueiros e um mar verde/azul. À tarde continuamos até Hillsborough, um vilarejo em Carriacou. À noite visitamos o barco de Francisco e Suzanne. Um barco fantástico, tamanho apartamento com tudo a bordo que se pode imaginar.

25 - 26 Fevereiro 2001

Passamos de novo em Sandy Island junto com mais o barco Excalibur. Na 2a-feira de novo em Hillsborough. O carnaval parece meio violento e preferimos ficar a bordo.

27 Fevereiro 2001

Fizemos o "clearance" e partimos com destino a St Vincent and the Grenadines. Primeira parada: Union Island. São somente 5 milhas. Após o "clearance" continuamos até Petit Sint Vincent (PSV), uma ilha particular a 3 milhas de Union Island onde estão Scirocco, Azular e Vida Viva.
St Vincent and the Grenadines são um grupo de uns 11ilhas, cada uma mais linda que a outra. Do sul ao norte são 50 milhas de distância. Pretendemos ficar nesta região durante 1 mês.

28 Fevereiro 2001

Passamos o dia numa banca de areia perto de PSV. Junto ao recife mergulhei e peguei 2 vermelhões para o jantar.

1 - 8 Março 2001

Saímos de PSV para Union Island onde subimos o morro Fort Hill com altura de 150 metros e uma bonita vista para a enseada. Depois para Palm Island à uma milha de Union Island onde passamos à noite. No dia seguinte à vela para a ilha Mayreau à 3 milhas. Uma praia linda em Saline Bay com toda infra-estrutura para receber navios de passageiros, com cadeiras, mesas, sanitários, bar, etc. Como hoje não tem navio a praia está deserta. Subimos o morro com uma bela vista para os Tobago Cays. Mayreau tem somente 200 habitantes. Na caça submarino peguei 7 vermelhões (olho de Cão).
Hoje chegou um navio de passageiros francês da companhia Festival com uns 1.000 passageiros à bordo. Um steelband na praia e o melhor: almoço de graça, é só entrar na fila. Tinha saladas, paella com frutos de mar e churrasco de carne, além de muitas frutas!
Nos dias seguintes chegaram mais navios porém pequenos com somente uns 200 passageiros a bordo e não deu para almoçar. Portanto, de volta para a caça submarina e deu 2 lagostas e 3 vermelhões, tudo pega em profundidade até somente 6 metros.
No último dia tinha muita marola e à tarde ficou de repente tão forte e alto que tivemos que tirar rápido a âncora para não ser jogado na praia. Decidimos voltar para Union Island onde a enseada é bem protegida. À noite um whisky no barco Azular junto Luís e Geórgia do Scirocco para falar sobre os acontecimentos nesta tarde. Aprendemos uma lição!

9 - 12 Março 2001

Ficamos nestes dias em Union Island esperando a marola diminuir. A causa é uma forte depressão no Norte do Caribe. Domingo andamos uns 5 km até o morro Pinnacle, altura de 250 m com vista bonita para as outras ilhas.

13 Março 2001

Saímos de Union Island, depois de abastecer com água (us$ 0,04 o litro!!), rumo a Mayreau. O navio Mistral da companhia Festival está lá de novo e portanto almoço de graça.

14 - 16 Março 2001

Vamos para Tobago Cays, a uma milha de distância. São 4 ilhas pequenas com um recife enorme em forma de ferradura. O local é muito bonito, águas limpas com profundidade de 0,5 m a 11 metros e praias de areia branca. Infelizmente tem uns 60 barcos ancorados e portanto tumultuado com muitos barquinhos do povo local tentando vender de tudo. Não tem casas nas ilhas, somente algumas barracas improvisadas para vender bebidas.
Mergulhei no dia seguinte do lado de fora do recife. Muitos corais da superfície até uns 11 metros de profundidade. Peixes coloridos e até uma tartaruga. Nada de peixe para caça, também aqui é proibido porque é parque marinha.

17 - 19 Março 2001

Continuamos subindo, agora para Canouan, distante 4 milhas. Todas estas ilhas fazem parte de St Vicent and the Grenadines. A ilha tem poucas coisas, fora de um hotel de luxo no outro lado com diária de US$ 1.200,00. A tarde no pôr do sol deu a famosa "green flash" (relâmpago verde). Isto acontece de vez em quando, com o sol se pondo, com o horizonte sem nuvens e muito claro. À noite tomamos um drink no hotel junto com o casal Jorge (Greco) e Diana (Brasileira) que chegaram aqui 5 anos atrás de barco e até hoje estão trabalhando no hotel. No domingo comprei na colônia de pescadores uma lagosta de 1 kg por EC$ 22 (US$ 8) e mais tarde na praia um peixe. O jantar vai ser bom.

20 - 21 Março 2001

Saímos para Bequia, distante 20 milhas. Vento E de 25 nós. Um passeio gostoso. No caminho passamos pela ilha Mustique onde os famosos como Mike Jagger e Elton John tem mansões. Chegamos em Bequia e ancoramos em Admiralty Bay. Conforme a posição do GPS transferido para a carta náutica, estamos em cima de um morro! A carta é baseada em levantamentos Britânicos em 1863 e 1889 e a carta informa que não tem como acertar uma correção para o GPS. Deve ter vários erros para mais e para menos. Nunca deve-se confiar somente no GPS. A carta pode estar errada! Já me falarem que tem cartas do Pacífico com erros de até 3 milhas!

22 Março 2001

Prosseguimos de Bequia para Blue Lagoon em St. Vincent, distante 10 milhas. Vento E de 25 nós. Ancoramos às 12:30 horas. Peguei uma van até a capital Kingstown, onde tem poucas coisas de interessante.

23 Março 2001

Peguei a van até Georgetown para subir o vulcão dormente La Soufrière, altura de 1.350 metros. As praias na parte de barlavento são todas de areia preta de origem vulcânico. De Georgetown andei 6 km até o pé do vulcão, passando por plantações de bananas. Encontrei o plantador Dave que me contou que aqui tinha uma fazenda enorme, desapropriada para distribuir as terras para os trabalhadores da fazenda. Cheguei ao pé do vulcão já numa altura de uns 400 metros. A subida não foi nada fácil. Gastei umas 3 horas e cheguei lá em cima morto. O vulcão tem um cratera enorme com um diâmetro de 1 km. A decida foi mais fácil. Ainda tive a sorte de pegar no asfalto um Landrover do governo até Georgetown. Na van dois caras legais, um Rastafari. São agricultores que plantam bananas, batatas, cebola, grapefruits, etc. No início não entendi nada do que o Rastafari falava, depois comecei a entender.
De volta ao barco, encontramos o capitão Kelly, famoso no Brasil com seu barco trimaran Survival, com museu de índio nele. Já saiu várias vezes na revista Náutica, entre outras. O barco dele quebrou num recife perto de Blue Lagoon e ele e sua esposa Brasileira já estão aqui há 9 meses consertando o barco.

24 Março 2001


Fui ver o trimaran Survival do Kelly. O encontro com o recife fez um buraco de 1 x 1 metro no casco principal, entortou o eixo da hélice e quebrou o leme. Está na fase final do conserto.

25 Março 2001

Domingo fizemos um churrasco na praia de Blue Lagoon com Kelly, Paulo e Jacy (esposa de Kelly).

26 - 28 Março 2001

Gastei 2 dias consertando a parte elétrica do veleiro Survival destruída pela água. Saímos de Blue Lagoon para Young Island distante 1 milha. Na saída de Blue Lagoon tocamos levemente no fundo no canal de saída no recife. Depois verifiquei que tirou somente um pouquinho de fibra de vidro da quilha (a quilha de aço de 2.000 kg está coberta por uma manta de fibra de vidro com resina epoxi).

29 Março 2001

Partimos à vela para Wallilabu distante 10 milhas. É uma enseada pequena e muito funda onde é necessário usar poitas e um cabo para terra. Já 2 milhas antes veio o pessoal para oferecer apoio para ancorar. Na chegada mais vendedores. A poita sai de graça quando se janta no restaurante. Fiz o "clearance"; cobraram uma taxa absurda de EC$ 45,00 (US$ 17) para horas extras, já que hoje é feriado. Não sabia, ontem era feriado por causa das eleições, mas parece que são mais 2 dias de feriado). Estamos de novo junto com Azular e Scirocco. À noite jantamos no restaurante; comida mais ou menos por um preço alto como é bastante comum no Caribe.

30 Março 2001

Partimos para Chateau Belair Bay distante 5 milhas. Na chegada de novo um monte de meninos oferecendo qualquer tipo de serviço.

31 Março 2001

Saímos de St Vincent rumo a St Lucia (Piton Bay) à 40 milhas. É uma baía com 2 morros altos na entrada. Vento de 25 nós do Leste; como sempre uma orça forçada por causa da correnteza para Oeste. Na baía colocamos o barco numa poita, já que a ancoragem não é boa, além de ser proibida (parque marinha). À noite uma moqueca gostosa de lagosta e atum no barco Scirocco junto com o pessoal do Azular.

1 Abril 2001

Completamos 1 ano de viagem ! Navegamos neste ano 4.823 milhas náuticas (8.937 km) sendo 86 % à vela. O barco está ótimo, o problema mais chato é o vazamento nas escotilhas com mar mais grosso. Já tentei consertar com borracha mais continua vazando. Fizemos uma excursão para os Pitons para ver o que restou do vulcão. Tem fumaça saindo e água sulfúrica fervendo. É o que restou da cratera que explodiu 40.000 anos atrás. Tomamos um banho na água quente. Depois passamos para um outro lugar onde tem uma queda de água quente com piscina. Mais um banho gostoso. Por último visitamos o parque botânico com outra queda de água chamada Diamond Falls.

2 Abril 2001

Partimos para Marigot Bay à 10 milhas de motorsail. Chegamos às 12:00 horas. A baía é superprotegida e tem uma praia com coqueiros além de uma filial da companhia de charter de veleiro "Moorings".

3 Abril 2001

Continuamos para Rodney Bay de novo distante 10 milhas.

4 Abril 2001

Partimos para a ilha Francês Martinique distante 25 milhas. Não fizemos clearance de entrada e saída em St. Lucia. Chegamos a conclusão que com tantos barcos ninguém controle nada e vamos "pular" ilhas. Vento de 20 nós ESE com rumo 20 graus magnéticos. Uma velejada fantástica com este vento no traves. Chegamos às 14:00 horas em Le Marin com média de 6 nós. À tarde para o supermercado que tem preços bons e uma seleção fantástica, especialmente de queijos e vinhos franceses.

5 Abril 2001

Vamos fazer o clearance. Nada feito, precisamos de vistos porque o barco é Brasileiro. Nem o Walter de Azular com passaporte francês conseguiu dar entrada. A razão é que o Brasil tem fronteira com Guyana Francesa com muitos trabalhadores Brasileiros ilegais. Eles tem medo que o pessoal passe para o Martinique. O funcionário da alfândega informou que agora ele deveria chamar a polícia para levar a gente de volta para o barco e para águas internacionais. Só que isto é um saco, portanto o melhor é ele fingir que não viu a gente e nos ficarmos quietinhos e curtir Martinique! Vamos fazer isto! À noite no Scirocco um jantar de Yakisoba, queijos e vinho francês com o grupo de sempre.

6 - 9 Abril 2001

Saímos de Le Marin para St Anne no outro lado da enseada. Tem um clube Mediterrâneo e a cidade é simpática. No domingo na praia onde tem muito top-less. À tarde houve uma regata com barcos locais passando bem próximo onde estamos ancorados. Os barcos são estreitos com uma vela bastante grande e para manter o barco equilibrado a tripulação (umas 10 pessoas) precisa fazer malabarismos.

10 - Abril - 2001

Partimos para Grande Anse dÁrlet. São 15 milhas e uma velejada gostosa com vento na popa e nas alhetas.

11 - Abril - 2001

Saímos para Anse Miton onde têm um hotel Meridien. À tarde ficamos na praia do hotel e depois à vela para a capital Fort de France no outro lado da baía à 3 milhas.

12 - Abril - 2001

Hoje fizemos compras grandes no supermercado com preços bons e (coisa chata) transmiti meu imposto de renda via Internet. A cidade não tem lá grandes coisas, só muitas lojas para turistas. O Scirocco que ainda está em Anse Miton foi abordado pela alfândega e o barco inspecionado para verificar a existência de contrabando. Pessoal muito educado e não deram a mínima bola para o fato de que o Scirocco não tem clearance. Mesmo assim Walter do Azular decidiu tentar de novo dar entrada em Fort de France. Desta vez conseguiu sem problemas. Então vou fazer a mesma coisa e também consegui o clearance. O pessoal aqui não deve saber dessa lei para barco Brasileiro! Depois voltamos para Anse Miton.

13 - 16 Abril - 2001

Passamos a Páscoa em Anse Miton. No Domingo um almoço no Azular com o grupo.

17 - Abril - 2001

Prosseguimos para Fort de France para fazer o clearance de saída e seguir para St. Pierre no Norte de Martinique. Mais uma velejada boa com ventos nas alhetas. St. Pierre foi destruído pelo vulcão Monte Pelée em 1902. Só sobreviveu 1 pessoa que estava na prisão. 29.000 pessoas morreram quando o vulcão explodiu pela lateral como se fosse uma bomba atômica e expeliu gases de 1.000 graus porém nada de lava!

18 - Abril - 2001

Peguei o ônibus para Morne Rouge perto do vulcão Monte Pelée. São mais 6 km até o início da trilha, porém consegui uma carona no primeiro carro que passou. A altura do vulcão é de 1.500m e a trilha excelente. A subida levou umas 2 horas e tem muita gente. A vista não é muita boa por causa das nuvens e da neblina. A cratera é enorme e no meio um morro muito inclinado de lava esfriada mais alto do que as bordas da cratera. De volta outra carona até Morne Rouge. Esperei quase 2 horas e nada de ônibus. Vou andar, são 8 km até St Pierre e tentar outra carona. Andei uns 3 km até finalmente conseguir uma carona com uma funcionária do hospital em St. Pierre. Ela falou que os serviços de ônibus não são bons (C'est Martinique!)

19 - Abril - 2001

Partimos às 17:00 horas para Iles de Saintes na Guadaloupe. São 70 milhas e vamos viajar de noite para chegar de manhã. Não vamos parar em Dominica. Até às 23:00 horas um bom vento e depois parou e ficamos boiando.

20 - Abril - 2001

Faltam 34 milhas até Iles de Saintes. O vento só voltou às 09:00 horas e logo com tanta força que rizamos todas as velas. Chegando perto das ilhas encontramos 3 baleias batendo com caudas enormes na superfície da água. Um espetáculo muito bonito. As Iles de Saintes são 5 ilhas maiores e várias pequenas com um tipo de baía no meio.
O motor diesel não pegou por alguma razão! Entrei velejando até ancorar. Encontramos o veleiro alemão Angelika que conhecemos de Ile de Salut. Tomamos junto um vinho no nosso barco.

21- 22 - Abril - 2001

O motor continua com problemas. Os bicos estão injetando diesel, o estrangulador está funcionando normalmente. Talvez de novo uma válvula calçada com sujeira como em Fernando de Noronha! Na ilha tem uma rua parecida com Búzios, cheio de restaurantes, bares e boutiques e no outro lado da ilha uma praia bonita. Saímos às 14:00 horas a vela com destino para Antigua ou Sint Maarten conforme a direção do vento. No início vento forte até Guadaloupe e depois no sotavento da ilha mais fraco mas continuamos andando bem. Passando Guadaloupe de novo vento forte de NE e decidimos ir para Sint Maarten. São 160 milhas.

23 - Abril - 2001

Vento ENE de 30 à 35 nós e ondas. Passamos pela ilha Montserrat. O vulcão da ilha entrou em erupção em 1995 e destruiu boa parte da ilha. Como é noite não deu para ver nada. Mais tarde vento e chuva forte e ficamos somente com a vela grande com 2 rizos. Ao amanhecer passamos nas ilhas St. Kitts e Nevis e Sint Eustacius. Ancoramos às 16:30 horas em St Barts distante 20 milhas de Sint Maarten. Não deu para chegar durante o dia em Sint Maarten e como estamos sem motor não queria arriscar. Tereza detestou esta viagem por causa das ondas, rajadas de vento, chuva, etc. O barco andou bem com média de 5,7 nós apesar dos ventos fracos perto de Guadaloupe!

24 - Abril - 2001

Partimos para Sint Maarten. Chegamos e ancoramos na baía para esperar a ponte abrir às 17:00 horas para entrar para a lagoa Simpson Bay Lagoon. O Ideafix e mais um outro barco Brasileiro vão puxar o Triton com os botes de apoio por dentro da baía, já que não dá para entrar velejando.
Enquanto isso dei entrada na polícia (clearance). Entramos com a ajuda de 2 botes, um de cada lado amarrados ao Triton. Eram os botes dos veleiros Excalibur e Ideafix, ambos Brasileiros e com os botes mais potentes. Tem uns 5 barcos Brasileiros em Sint Maarten. Mais tarde o Alvaro, Hilka e os 2 filhos de Ideafix voltaram para bater um papo.

25 - 30 Abril 2001

Chamei o serviço autorizado Volvo para medir a taxa de compressão do motor, já que estou desconfiado que realmente temos uma válvula calçada. Vão cobrar ½ hora de serviço se eu deixa o motor preparado sem os bicos injetores. Cada cilindro mediu 20 bars, aparentemente normal. Está ficando um mistério este problema do motor. Sábado à noite happy-hour no barco Big Blue de Orlando e Nara. Dei mais uma tentativa com Álvaro para consertar o motor mais continuamos com problemas, talvez precisaremos mandar limpar os bicos ou regular a bomba injetora! Neste dias passamos também em Philipsburg onde tem muitas lojas de eletrônica, jóias, bebidas, etc. A ilha, metade francesa e metade holandesa é totalmente duty-free e tem boas compras. Os supermercados também são excelentes com uma variedade enorme de produtos inclusive muitas comidas holandesas, uma festa!
O dia 30 é feriado no lado Holandês (festa da rainha). Desde ontem estou com um problema no olho esquerdo e vou visitar o oftalmologista no lado Francês em Marigot. O médico descobriu 2 pequenas rachaduras na retina e fui operado na hora e levei 500 pontos de laser. A minha guia médica de 1.000 páginas indicou exatamente este problema como provável com as sintomas que tenho (coisas pretas flutuando na visão). Sem tratamento a retina descola e a pessoa fica cega! Conforme o médico isto pode acontecer entre 1 semana e 1 mês. Ainda bem que estou aqui e não no meio do mar. Preciso voltar 6a-feira para levar mais 500 pontos.

1 - 5 Maio 2001

Passei a semana descansando já que não posso fazer esforço físico pesado. Na Sexta-feira de novo 500 pontos, o médico falou que está tudo bem embora continua com a visão não muita boa. No próximo sábado outra revisão.

6 - 30 Maio 2001

O motor continua parado. Na autorizada Volvo agora um acha que a compressão é normal e o outro que é baixa. Tirei os bi
cos injetores para fazer limpeza e calibragem. Também não adiantou. Mesmo com líquido Start (éter) o motor não dá sinal de vida. Chamei o técnico para avaliar o que deve ser feito. Não chegou a nenhuma conclusão e achou melhor tirar o cabeçote e verificar ou até tirar o motor inteiro para fazer o serviço na oficina. Voltei para a Volvo para falar com o dono e acertar o custo. O dono sugeriu como última tentativa antes de tirar o motor, colocar um pouquinho de óleo lubrificante em cada cilindro para forçar uma compressão maior. Fiz e piorou. O motor travou e nem gira mais. É o que se chama de calça hidráulica e agora temos mais danos...
Bem, combinei com a Volvo para tirar o motor na 2a-feira. No dia nada do técnico. Chamei pelo VHF e finalmente a tarde a resposta que vai chegar amanhã. 3a-feira: Nada do técnico. O Chicão do Vida Viva está indo para a oficina para uma encomenda e falar com o dono sobre a retirada do motor. O técnico deve chegar à tarde... porém não chegou. Decidi não consertar mais o motor com a autorizada Volvo. Imagine: estou com o motor na oficina sem previsão para o conserto e a época dos furacões está chegando. O técnico chegou 4a-feira às 10:00 horas e informei que por falta de confiabilidade no serviço deles que não preciso mais deles.
Falei com uma outra oficina não autorizada, porém o dono, um americano deu um preço de outro mundo! Então, vou levar o barco de volta para Trinidad a vela. Os barcos Brasileiros Ideafix, Scirocco, Big Blue e Azular também vão para Trinidad. Conforme os Brasileiros tem um mecânico excelente em Trinidad com preços razoáveis.

Enquanto isso, fiz o último exame no meu olho e está tudo bem!
O principal atrativo de Sint Maarten é o duty-free e os cassinos. Tem algumas praias bonitas e mais nada.
Todo dia às 07:30 horas tem uma rede no canal VHF 14 com notícias, previsão de tempo e coisas para comprar e vender. Comprei uma genoa usada por US$ 100 e gastei mais US$ 45 para fazer alguns consertos. A minha genoa original é muita grande (150 %) para o Caribe e quase sempre era necessário reduzir a vela o que afeta em muito a forma da vela e por conseqüência a velocidade. A genoa nova é menor e vai servir bem.

Já estamos alguns dias no lado de fora (rebocado) e vamos partir no dia 31 de madrugada para St Kitts caso o vento esteja favorável.

31 - Maio 2001


Fizemos o clearance para Trinidad. Embora vamos parar em algumas ilhas, não pretendemos fazer entrada e saída já que ninguém controla nada. Saímos às 03:45 e uma vez um pouco afastado de Sint Maarten temos vento ESE e portanto de novo na orça. Mais tarde o vento aumentou para 25 nós e às 12:00 horas passamos por Saba e agora temos St Eustatius a boreste. Faltam 23 milhas até St. Kitts. Às 18:00 horas estamos passando pela cidade de Basse Terre na ilha St. Kitts e vamos continuar até Nevis distante 9 milhas. Chegamos às 20:30 horas e encontramos de novo o veleiro Big Blue.

1 - 3 Junho 2001

Em Nevis tem um resort na praia e entramos na piscina, porém logo em seguida tivemos que sair. Era só para os hóspedes. Não tem problema; ao lado tem um bar rastafari com cadeiras de praia, mesas e uma ducha de água doce. Tudo disponível, mesmo sem consumir nada. No dia seguinte a pé até Charlotville, a capital de Nevis. A cidade está decadente, casas e hotéis fechados ou abandonados. Parece que a única fonte de renda na ilha é o resort de luxo. À tarde chegaram os barcos Scirocco, Azular e Ideafix.

4 de Junho 2001

Saímos às 08:45 horas rumo a Anse Matin na Martinique ou Bequia nas Grenadinas conforme o rumo do vento que agora está fraco. Ao meio dia estamos na altura da Ilha Redonda com o mesmo vento fraco. 18:00 horas: o vento aumentou para 20 nós e estamos passando pela ilha Montserrat com o vulcão ativo e muita fumaça saindo.

5 de Junho 2001

Neste dia temos 8 horas sem vento e depois voltou com tanta força que logo tive que reduzir as velas. Pior que é SE e contra junto com um mar picado. No pôr do sol o vento aumentou, rajadas de até 35 nós e ondas de até 2,5 metros. A grande está com 2 rizos e a genoa bem pequena. Tereza está com muito medo.

6 de Junho 2001

O vento continua forte e às 06:00 horas estamos a Norte de Martinique. Na entrada da baía de Fort de France o vento mudou na cara e continua forte. Chegamos finalmente às 14:00 horas em Anse Mitan. Todo este vento e chuva era resultado de uma frente tropical (tropical wave) que também são o início dos hurricanes nos próximos meses.

7 de Junho 2001

Hoje muita chuva e visibilidade ruim. Deve ser a 2a parte da frente tropical que está passando por aqui. Pretendemos ficar ancorados alguns dias.

8 - 9 de Junho 2001

Mais uma frente tropical com vento forte e até ondas na ancoragem. Estamos esperando o tempo melhorar para zarpar. A previsão é para tempo melhor no dia 10.

10 de Junho 2001

A previsão e ventos E de 15 nós e vamos zarpar para Bequia distante 94 milhas. Saímos às 09:00 horas e às 18:00 horas estamos na altura dos Pitons em St. Lucia com o vento conforme a previsão.

11 de Junho 2001

De madrugada o vento parou e só voltou às 07:00 para depois parar de novo. Às 13:00 horas estamos entre St Vincent e Bequia e agora temos vento de sobra. Acho que no Caribe só tem 2 tipos de vento: pouco ou muito e sempre contra. Na chegada em Bequia encontramos um rapaz em roupa de mergulho se equilibrando num bote tirando fotos do Triton com uma câmara embrulhada em plástico. Ancoramos às 14:30 horas com 7 metros. Mais tarde o rapaz apareceu e informou que amanhã de manhã ele passará aqui para mostrar os fotos.

12 de Junho 2001

O rapaz passou e as fotos são fantásticos, porém caras. Fiz um acordo e comprei 1 foto ampliada e os negativos. Vou scanear as fotos para mandar via e-mail. À noite chegou o barco Big Blue.

13 de Junho 2001

O Big Blue já saiu para Canouan enquanto os outros barcos Brasileiros ainda estão em Martinique. Chamei o barco da água para encher nosso tanque. É a água mais cara do Caribe (US$ 0,06 o litro). À tarde apareceu ao lado do barco uma raia manta dando voltas no barco. Deu um show fantástico. Que coisa linda! Tirei fotos com minha câmara 35 mm já que a digital estava sem baterias.

14 de Junho 2001

Partimos às 08:00 horas para Canouan com vento E de 10 nós. Uma velejada boa, sol e mar bom. Chegamos às 13:00 horas.

15 - 18 Junho 2001

Passamos alguns dias tranqüilos em Canouan. No dia 17 chegou o Vida Viva e Scirocco. À tarde peguei um vermelho, não vi outros peixes de bom tamanho.

19 de Junho 2001

Saímos às 09:00 horas rumo a Cariacou, distante 21 milhas. Vento nas alhetas e mais tarde no través. Chegamos às 13:00 horas, uma velejada boa com média de 5,3 nós. De novo temos uma frente tropical com muita chuva.

20 de Junho 2001

Saímos de Cariacou às 08:00 horas para St George em Grenada. No início vento bom e velocidade média acima de 6 nós. Perto da ilha Ronde ondas altas de até 3 metros e mar confuso. Ainda perdemos nossa isca. Durante a viagem de St Maarten até aqui só hoje um peixe mordeu e logo arrancou a isca e quebrou a linha. Perto de Grenada rajadas de até 30 nós, é difícil segurar o barco com o mar na popa. Pouco depois o vento parou e passamos 2 horas boiando. Chegamos às 15:00 horas e ancoramos no lado de fora, já que não dá para entrar na lagoa sem motor. Fui de bote para terra para gastar os últimos EC$ (East Caribbean Dollar) em compras no supermercado.

21 de Junho 2001

Saímos às 09:00 horas rumo a Trinidad com vento E de 15 nós. Fora da ilha mar agitado. Ao meio dia estamos em águas mais fundas e mar mais calmo. O rumo para o Boca de Dragão é 194 graus mas tem a correnteza equatorial com velocidade de até 2 nós na direção NW. Para compensar coloquei o leme de vento para 180 graus .

22 de Junho 2001

Passamos às 06:00 horas pela Boca Grande (maior entrada das 4 entradas da Boca de Dragão). As outras são estreitas demais para entrar sem motor. Contornando a ilha são 6 milhas até a ancoragem de Chaguaramas em Trinidad. À 1 milha da ancoragem o vento parou e não voltou. Álvaro de Ideafix veio para rebocar o Triton com o bote dele. Chegamos finalmente às 11:30 horas.
À tarde fui visitar o mecânico Adjan junto com Orlando de Big Blue. Acertamos para começar o reparo do motor 2a feira. Também fez o clearance com o papel de St Maarten já que não dei entrada nas outras ilhas.

23 - 24 Junho 2001

Hoje consegui consertar o piloto automático Autohelm ST4000. Já estava quebrado um tempão. As engrenagens internas de nylon estão quebradas. Não consegui nem em St Maarten as peças. Hoje na rede no canal VHF 68 pedi se alguém tinhas as peças e mais tarde o inglês Dave informou que tinha o conjunto de engrenagens completo. Fui buscar e ele só queria uma garrafa de gin caso o conjunto servisse
para meu Autohelm. Deu certo!

25 de Junho 2001

Hoje tiramos o motor para fazer o reparo em terra. Foi até fácil tirar. Usamos a retranca para passar o motor para o bote. Amanhã vou saber o que tem que ser feito para o reparo.

27 - 30 de Junho 2001

Temos uma biela torta e a engrenagem do motor de arranque quebrado. Também existem marcas nos pistões e anéis de água salgada que entraram no motor em Dezembro em Tobago. Vamos fazer uma retifica e vou importar as peças dos Estados Unidos, já que o Volvo em Trinidad tem preços de até 80 % mais caro!

Julho 2001

Instalamos o motor no final do mês e está tudo funcionando bem. Amanhã vamos subir o barco na marina Peakes já que vamos voltar para o Brasil de avião. Ficamos 5 dias no barco em seco e infelizmente um dia alguém entrou no barco e roubou US$ 100 mais um cartão de banco. Tinha deixado o barco aberto para buscar Tereza na lavandaria da marina e neste tempo caiu um temporal e demoramos uns 40 minutos para voltar, o que foi suficiente para alguém entrar no barco.

Agosto 2001

Viajamos no dia 6 de avião para o Brasil. Eu vou ficar 2 meses para resolver alguns assuntos e depois voltar sozinho para continuar a viagem. Tereza vai ficar em Salvador e somente embarca de novo em Nova-Zelândia. Ela teve muito medo do mar e agora vamos ter muitos trechos longos até Nova-Zelândia.