Viagem Volta ao Mundo no veleiro Triton
Volta ao mundo no veleiro TRITON
Viagem 2000


Abril até Dezembro - Angra dos Reis até Trinidad.
           




Desde Set/99 planejei começar esta viagem em 31/03/2000. Porém descobri que o dia 31cairia numa 6a-feira e conforme a lenda marítima não se deve iniciar nenhuma viagem na 6a-feira. Sábado seria 1º de Abril, Dia da mentira, também não pareceu bom !
Portanto, resolvi que o dia da partida seria no dia 2 e zarpamos às 10:30 horas. Nestes últimos 6 meses gastei muito tempo na preparação do barco: instalação do radar, rádio SSB, leme de vento Windpilot, degraus no mastro, 3o rizo na vela grande, troca de mangueiras, etc...
Já tinha instalado antes o gerador eólico, painéis solares, estaiamento novo, 2o GPS, etc, desde que comprei o barco, há 2 anos.
"Acho que estamos preparados!"

Choveu muito no dia 2 como aliás, durante todo o verão neste ano.
Uma semana antes houve uma festa de despedida, com churrasco, onde compareceram em torno de 25 pessoas.
Tereza, minha esposa, já estava em Salvador a procura de um apartamento e ela deve embarcar em Caravelas, portanto, até lá vai ser uma viagem solo.
Primeira parada no posto de diesel para abastecer 80 litros e em seguida, fui para a enseada das Palmas no extremo leste de Ilha Grande. Tudo no motor porque não tinha vento.
Devo ficar aqui uns 2 dias para arrumar tudo e terminar a instalação do leme de vento (ajustes).
Fiquei 2 dias em Palmas para arrumar o barco e instalar o computador, não é um laptop pois encontrei muitos velejadores com laptop quebrado sem conserto e optei por uma mini-torre com monitor de 9 polegadas (por enquanto, não está funcionando com GPS). Tive ainda que fazer o terra para o tuner do rádio SSB, etc.

5-Abril-2000

Zarpei para Cabo Frio na vela. Ajustei o leme de vento Windpilot para o vento de SE - E. Conforme Angra Rádio teremos ventos de até 16 nós (1nó = 1.852 metros) e ondas de 2,0 a 2,5 metros.
Às 14:30 horas o barco entrou no vento o Windpilot não segurou. Rodei 360 graus para novamente entrar no rumo. Ainda falta experiência com este leme. De repente, notei que o gerador eólico estava parado. A linha de pesca estava enroscada na hélice! Tive que subir na targa para conseguir tirar a linha. Foi bastante perigoso com o barco adernado e segurando a hélice, mas consegui!
Não vou mais usar a vara de pesca que ficou muito alta e montei o molinete diretamente no guarda-mancebo bem longe do gerador.
Peguei 3 peixes, sendo 2 cangulos e 1 dourado que infelizmente escapou.

6-Abril-2000.

Durante a noite durmo de 15 à 30 minutos, acordo para ver se está tudo o.k. e durmo novamente. Parece cansativo, mas o corpo se adapta rapidamente.
Às 04:00 horas estava na altura de Pedra de Guaratiba quando o vento parou. Baixei a vela e fui dormir até às 06:15 horas quando o vento voltou. Continuamos com vento contra e portanto o progresso foi lento. Às 15:30 horas recebi a previsão do Clube Naval Charitas quando estava perto das ilhas Maricas: "Mais vento contra e mais forte".
Como o mar também estava ruim decidi voltar para o Rio de Janeiro para ancorar na Urca onde cheguei às 18:00 horas.

7-Abril-2000.

Saí às 07:00 horas perto do lado de Niterói à 2 milhas das Ilhas Pai e Mãe um cheiro insuportável de lixo e esgoto! Deve ser algum emissor submarino. Tratamento de lixo nem pensar ......
Continuamos com vento e correnteza contra.

8-Abril-2000.

Às 06:00 horas estava na altura de Cabo Frio. O vento era NE, portanto, de novo contra. Rumo a Búzios onde finalmente cheguei às 16:00 horas, tomei um banho e fui para a cidade para comer. Havia poucos turistas e quase todos eram nossos "hermanos" da Argentina. Fiquei 2 dias.

11-Abril-2000.

Saí de Búzios com vento NE, portanto, de novo no nariz, embora a previsão era E. Estou com um rizo na vela grande. Às 12:00 horas avistei o sopro de uma baleia e em seguida mais perto vi também o dorso. Peguei a máquina fotográfica, porém o animal havia sumido. 2 horas mais tarde, peguei um dourado; belo almoço, peixe no forno com tomate e arroz.

12-Abril-2000.

Às15:00 horas passamos por Cabo São Tomé, o vento mudou para E e melhorou um pouco.

13-Abril-2000.

Ventos de novo NE com força de até 15 nós. Quando vamos ter um vento mais favorável ?

14-Abril-2000.

Cheguei às 03:30 horas na enseada de Guaraparí para descansar um pouco. Na entrada da baía de repente um monte de barcos de pesca saindo, a maioria sem luz ou refletor de radar. Um perigo! A Capitânia dos Portos deveria tomar providências...

Resumo trecho Búzios-Guaraparí:

A distância entre Búzios e Guaraparí é de 160 milhas , andei 263 milhas por causa do vento contra!
Que pena que não chegou nenhuma frente fria com ventos favoráveis. Foram 3 noites e quase 4 dias de velejar solo. Não tive problemas para dormir com intervalos de 15 à 20 minutos, sem ficar cansado!
Perigos: O maior sem dúvida são os barcos de pesca à noite. Sem luz nenhuma e a maioria sem refletor de radar (custa uns us$ 10) eles são um perigo. Tem até barco ancorado no meio do mar e portanto sem chance de desviar em caso de rota de colisão. O motor continua com problemas de entupimento no pescador do tanque.
Deve estar contaminada com algas e precisa tirar todo o óleo diesel e limpar o tanque (talvez farei em Caravelas).

Saí às 12:00 horas rumo a Caravelas. Vento NE 15 nós.

15-Abril-2000.

Às 02:00 horas estava chegando uma frente fria fraca e o vento já está mudando para N - NWN e às 05:00 horas já estava SW! Finalmente vento a favor . O barco estava com 6 Nós . Às 07:30 um temporal, muita chuva e vento e o GPS registrou uma velocidade de até 9,8 Nós. No radar é possível ver a chuva chegar, já que as gotas refletem o sinal. Como as velas ficaram encharcadas pela chuva, tivemos como conseqüência 2 zonas mortas no radar. Portanto o ideal é instalar o radar acima das velas.
Passamos às 16:00 horas o cabo Rio Doce, faltam 125 milhas até Caravelas.
Estou com a genoa com pau de spinaker e a vela grande com 2 rizos. O barco anda com uma velocidade média de 6 nós. Tanto no piloto eletrônico (Autohelm) como no leme de vento é difícil manter o rumo com esse vento e mar (ondas de 1,5 metros) na popa..
Decidi tirar a vela grande e continuar somente com a genoa.
Resultado: agora o leme de vento consegue manter o rumo e a perda de velocidade é mínima.

16-Abril-2000.

Continuamos com vento SW mais fraco de 10 nós. Andei em 6 horas 33,0 nós, portanto uma média de 5,5 nós, o mais rápido até agora (somente com genoa e pau de spinaker).
Mais tarde o vento parou durante 3 horas e fui dormir.
Meio dia peguei um cavala, transformado na hora num belo sashimi!
Às 17:00 horas o vento aumentou para 20 nós e reduzi a genoa.
Cheguei no recife Coroa Vermelha às 18:00 horas e como somente posso entrar em Caravelas com a maré alta, tive que ancorar. Como o vento estava mudando para SE 20 nós, Coroa Vermelha ficou desabrigada e decidi ir para o Parcel das Paredes onde cheguei à meia-noite e ancorei com 15 metros de profundidade.
Tem uma maré alta às 02:00 horas porém não quis entrar à noite e decidi esperar pela maré das 14:00 horas.

17-Abril-2000.

Levantei a âncora às 10:30 horas. Gastei meia hora para tirar a âncora com 30 metros de corrente, mais 30 metros de cabo. Entrei na barra do rio para Caravelas às 12:00 horas com 2,5 metros debaixo da quilha.
Na frente de Caravelas meus amigos Maurício e Beth estavam com o catamaran Sanuz. Maurício largou tudo, construiu o catamaran e está vivendo de charter em Abrolhos, vida boa!
Tereza vai chegar amanhã para embarcar.

18/19-Abril-2000.

Após um tempo agradável em Caravelas parti junto com Tereza para Porto Seguro. O vento é ENE Beaufort 10/15 nós, portanto vento de nariz.

20-Abril-2000.

Às 11:00 horas estamos com uns 20 golfinhos em volta do barco. Após meia hora a turma vai embora.
Mais tarde perdemos a isca com uma linha de 50 kg. Deve ter sido um peixe grande.
Colocamos uma nova linha e nova isca. De repente o molinete dispara e antes que eu chegasse no molinete acabou a linha.
Mais um peixe, linha e isca perdidos.
Chegamos às 19:00 horas em Porto Seguro com vento forte e ancoramos fora para ir no outro dia para Cabrália. Vamos participar das festas dos 500 anos do descobrimento do Brasil.

21-Abril-2000.

Às 07:00 horas rumo a Cabrália onde encontramos uma vila náutica montada pela TAM e muitos dos velejadores da regata dos 500 anos. Ainda não chegou o Cisne Branco, Sagres e o Parati de Amyr Klink.
Vamos para terra às 12:00 horas. O lugar é pouco abrigado e para chegar na praia não e fácil.
Na vila tem local para tomar banho, refrigerante e café.
Voltamos com o bote para o barco às 17:00 horas. Foi um sufoco. O vento aumentou muito e tinha ondas quebrando na praia. Resultado: Tereza desistiu com medo. Voltei sozinho para o barco para voltar com uma bóia e 25 metros de cabo. Tereza entrou na água com a ajuda de 2 pessoas e consegui pegar a bóia e entrar no bote.
A previsão era de uma frente fria no sul da Bahia. Vai ser bom ir para Ilhéus.
A noite chegou o Parati com Amyr Klink e mais uma réplica de uma caravela Portuguesa.

22-Abril-2000.

Entrou a frente fria e já temos ventos S / SW. Ficamos para participar do desfile à tarde. Na vila náutica da TAM tem de graça um café da manhã excelente com frutas, bolos, tortas, pães, etc...
Decidi ir para Coroa Vermelha para comprar algumas coisas no supermercado. O ônibus andou uns 500 metros e parou. Uma fila enorme. O supermercado fica a 1 Km e decidi ir a pé. Nunca vi tanto índio na minha vida. Tudo estava parado e ninguém consegue passar de carro.
O desfile foi um fracasso. O Cisne Branco e Sagres (veleiros-navio de 80 metros) partiram com velocidade de 6 nós a motor contra o vento e os veleiros ficaram para trás. Resultado: chegamos sozinhos no ponto onde deveria estar FHC, que ficou somente 5 minutos e se mandou!

23-Abril-2000.

Partimos às 10:30 horas com vento SW Beaufort 15 nós, ótimo!
Mais tarde o vento aumentou e ficamos só com a genoa reduzida para chegar de madrugada em Ilhéus.
24-Abril-2000.

Ondas de 3 metros e Tereza está com medo, porém chegamos bem às 09:30 no Ilhéus Iate Clube onde ficamos na poita, já que não tem píer para atracar. O clube tem serviço 24 horas de barquinha de apoio para o translado.
Encontramos com Jacob (sobrinho de Tereza) sua esposa Patrícia e o pequeno Lucas de 2 anos. Eles moram pertinho do clube.

25/26 -Abril-2000.

Encontramos com Básilio e Ilneide , outro sobrinho de Tereza. , e no dia 26 fomos visitar a Ceplac, Instituto de Pesquisa de Cacau, onde Básilio é pesquisador. A lavoura de cacau foi devastada por uma praga de fungo chamada Vassoura de Bruxa. A Ceplac já conseguiu desenvolver uma variação de cacau resistente à praga. A Ceplac também é ativa em muitos assuntos ligados ao meio-ambiente e a outros tipos de lavouras.

28 - Abril 2000

Encontramos o casal Francês Nicolas e Gilberte abordo do veleiro de aço Direol (filho de aço na língua Bretanha). Já estão viajando há 2 anos e meio de França para o Mediterrâneo, Canal de Suez, África do sul (gostaram tanto que ficaram 1 ano) e agora o Brasil.

1- Maio 2000.

Às 00:15 horas uma forte batida contra o casco. Um outro barco francês que chegou ontem estava à deriva e batendo contra nós. Os caras estavam sem motor e ancorado com um ferro vagabundo!
Resultado: tivemos que sair da nossa poita e ancorar mais longe. No outro dia descobrimos que o clube tinha oferecido uma poita para eles ficar mais seguro, porém acharam desnecessário! Nicolas de Direol informou que tinha encontrado esta turma em Salvador e que eles não prestam. Bem, se um Francês fala isto de um compatriota, deve ser verdade!

2 - Maio 2000

Após uma semana agradável em Ilhéus, partimos às 13:00 horas para Camamu, distante umas 60 milhas.

3 - Maio 2000

Chegamos às 03:00 horas da madrugado na entrada e ficamos capeando até a madrugar.
Capear é um método para ficar mais ou menos parado no mar colocando as velas e leme de tal maneira para produzir forças conflitantes. Com vento SE de 10 nós, mudamos 1,7 milhas para o NNE em 2 horas.
Às 05:00 horas estamos entrando na baía de Camamu com muita chuva e vento. Notei que a vela grande se soltou na parte traseira da retranca. De repente, o vento mudou e a vela grande deu um jaibe. Um moitão da grande quebrou. Agora já temos 2 defeitos. Tirei a vela grande e continuamos somente com a genoa. Temos muitas ondas porque a maré é vazante e contra o vento forte.
Chegamos às 07:00 horas no Ponto de Ingazeira perto do bar de Sônia onde jogamos o ferro.
À tarde fomos visitar o bar e Sônia não estava, mas fomos bem recebidos por Damião. No bar tem uma velinha com o nome de cada veleiro que já passou por lá.

4 - Maio 2000.

Após consertar os problemas com a retranca, partimos de motor subindo o rio para Maraú e chegamos 3 horas mais tarde. O vilarejo tem 3000 habitantes e a população vive da plantação de coco, pouco cacau e pesca. O município com a parte rural tem uma área maior do que Salvador e com um total de 20.000 habitantes. O transporte é principalmente via barco, porém existe um posto de gasolina na estrada cheio de buracos para Itabuna. Quase não tem carros, porém enquanto tomamos uma cerveja no restaurante do posto de gasolina chegou um carrão (Ranger 4x4). Perguntei se era o prefeito, já que a população é pobre.
Não era o prefeito, porém, era o carro do prefeito dirigido pelo secretário de transporte, cuja única função era preencher requisições para encher o tanque e dirigir o carro......

5-6 Maio 2000

Voltamos para o Ponto de Ingazeira e encontramos um veleiro da África do Sul "Capensis" com Rick e Mary a bordo. Fizemos uma caminhada pela ilha. A natureza na baía de Camamu é muita bonita. Muitos mangues e pouca destruição. Amanhã vamos partir para Morro do São Paulo. Troquei os 2 filtros de diesel do motor que continua dando problemas.

7 - Maio 2000

Saímos às 06:00 e o motor continua desacelerando. Deve ser ar no sistema ou mais algum entupimento.
Chegamos às 17:45 em Morro do São Paulo após uma viagem boa com vento na popa.

8 -10 Maio 2000

Nesta época Morro do São Paulo é bem tranqüila e andamos horas nas praias sem encontrar ninguém. No verão fica cheio demais, já que a cidade é pequena.

11 Maio 2000

Partimos para Salvador às 07:00 horas com vento SW de 10 nós, portanto na popa.
Depois de meio-dia o vento aumentou para 20 nós com muita chuva e ondas de até 3 metros. Tereza está assustada. Chegamos em Aratu às 19:00 horas e ainda tive um susto na estreita entrada para a baía de Aratu. Quase bati contra um aterro novo que não consta no mapa. Nunca mais entro em lugares assim à noite.

12 - 28 de Maio 2000

Ficamos no Aratu Iate Clube. Encontramos o barco Recomeçando de Ronaldo de Bracuí, o Capensis, o Direol, o Azular e o Scirocco. Fizemos uma nova amizade com Bob, Bela e a menina Natascha do barco sul-áfricano Defiant.
Copiamos muitas cartas náuticas do Caribe, Pacífico e África do Sul de alguns Franceses que encontramos ancorados perto do Mercado Modelo.
No clube toda Sexta-feira tem um churrasco bem animado sob o comando de Wilson um Paranaense responsável pelo restaurante do clube.
Mudamos no dia 28 para o Centro Náutico da Bahia bem no centro junto ao Mercado Modelo, para amanhã fazer a vistoria na Capitania dos Portos para mudar o registro do barco para Salvador e a classificação para mar aberto oceano.

29 de Maio - 1 de Junho 2000

A vistoria não foi boa. Conforme as novas regras da Marinha (Norman 3 2000), já bastante criticadas nas revistas náuticas, temos que alterar um monte de coisas e alguns bastante caros como:
Coletes salva-vidas classe I (cada us$ 80,00), balsa salva-vidas homologada pela Marinha (só existem 2 fabricantes nacionais homologados), a balsa custa us$ 3.200,00, rádios SSB e VHF homologados pela Anatel, aí vai mais uns us$ 3.000,00, etc...

2 - 17 Junho 2000

Voltamos para Aratu e encomendamos os coletes classe I em São Paulo, já que no comércio local ninguém vende e colocamos um pedido para a balsa salva-vidas com a Angevinier no Rio.

18 - 21 de Junho 2000

Partimos hoje com Helder (sobrinho de Tereza) , sua esposa Mireia a filha de 4 anos Sayury para a cidade de Itaperica. Temos forte vento contra e estamos de motor. Chegamos a tarde e encontramos de novo Jan com o barco Jameluce. No dia seguinte partimos para Mutá, de novo com vento contra e chegamos até a Ilha de São Gonçalo para ancorar e passar a noite. Temos muita chuva. Voltamos na outra dia para a Ilha de Cal. Lá existe uma casa em estilo alpino, meio abandonada embora o caseiro informou que em breve vai virar uma pousada. O pessoal que estava pescando com rede na praia pegou muitos peixes pequenos para uma moqueca e também cavalinhos do mar. Estes são secados e transformados em um pó que é usado contra a asma.
Alguns caranguejos foram dados para o cachorro, que muito esperto, arranca com uma dentada uma garra e depois a outra e em seguida come o bicho agora indefeso. À tarde voltamos à vela para Itaparica.
No dia 20 fomos de bote até o Coroa de Limo, um banco de areia ao lado de Itaparica. Tem muita gente pegando um pequeno marisco (volni) chamado de chumbinho por aqui. Um bom coletor pega até 1 quilo (peso sem a concha) por dia! À tarde fomos para a cidade de Itaparica. Quase ninguém na cidade, tem um forte construído pelos holandeses e muitas casas antigas. Parece que a cidade está em decadência, já que as praias ficam mais para o Norte da ilha (hotel Mediterrânea, etc.) e portanto poucos turistas.
No dia 21 voltamos para o Centro Náutico da Bahia.

24 - Julho - 2000

Testei ontem o novo rádio SSB Icom com dona América , uma radioamadora em Curitiba que da apoio aos velejadores. Tudo funcionando 100 %.

25 - 30 de Julho 2000.

Saímos para a Ilha do Frade no Norte da Baía de Todos os Santos. Vento SE 15 nós, usamos somente a genoa. Chegamos às 16:00 horas, ancoramos na enseada ao norte da ilha.
Na ilha tem várias trilhas. Na parte sul tem as praias mais bonitas, porém de difícil acesso com o veleiro devido a pouca profundidade. Perto da Ilha do Frade tem a Ilha de Bom Jesus com um pequeno vilarejo, além de algumas outras ilhas particulares, uma com uma pousada bonita. Na volta temos vento forte contra e decidimos voltar para o Aratu Iate Clube.

12 de Agosto 2000

Saímos de Aratu para o Centro Náutico. Temos nova vistoria na capitania para Terça-feira.
As pendências são:
1. Rádios VHF e SSB conforme certificado da Anatel .
1. Balsa salva-vidas classe II homologada pela Marinha.
1. Coletes salva-vidas classe I.
1. Número de inscrição na popa.
1. Placa indicando comprimento do barco, lotação e potência do motor na cabina (isto serve para quê?).
1. Sextante, binóculo 7x50 e quadro de balizamento (já estava abordo, eles tinham esquecido de pedir na primeira vistoria).
Passamos pela vistoria sem problemas.

25 de Agosto 2000.

Voltamos para Aratu para a regata Aratu-Maragojipe amanhã. Temos um bom vento SE e estou usando a vela grande com um rizo e a genoa. À noite temos a festa de abertura para a XXXI regata!

26 de Agosto 2000. .

Temos duas largadas uma às 09:00 horas e a outra às 10:00 horas já que deve ter uns 100 barcos ou mais. Saímos às 09:00 horas com vento favorável na popa, porém não muito forte. O barco mais veloz é o novo catamaran enorme da Bahia "Adrenalina Pura".
Deu um banho em todo mundo e levou a fita azul (primeiro a chegar). Chegamos às 18:00 horas, velocidade média de só 3,5 nós. Também o casco já está à 2 meses sem limpar e deu muita craca na baía de Aratu que é bastante suja. Vamos para a terra de canoa, serviço oferecido pelo povo local a R$ 1,00 por pessoa, já que não tem lugar para atracar o bote. Na praça tem uma festa bem animada com a entrega dos prêmios.

27 de Agosto 2000.

Ontem deu 2 problemas. O piloto automático Autohelm não        quer mais engatar. Desmontei o conjunto e o cinto está parcialmente gasto e quebrou o pino do engate. "Consertei" o cinto e fiz um novo pino de uma outra peça com a lima. Preciso comprar um kit de reparo. Também pifou a bomba elétrica de água doce. Coloquei a bomba de água salgada (igual para servir de "back-up") no lugar. Desmontei a bomba, porém o problema está na parte blindada da bomba, portanto sem conserto. Conforme a etiqueta foi fabricada em 1996, deve ter um vida útil de uns 5 anos?
Saímos de Maragojipe para Itaperica para dormir a noite. Vento só contra.

28 de Agosto 2000

Limpei hoje a hélice. Tinha muitas cracas. Foi tratado com uma tinta especial caríssima (International MMX), porém está dando muito mais cracas do que o casco tratado com uma resina epoxi e cobre puro em pó (evita as cracas mas não limo, etc), inclusive ecologicamente correto, já que não tem veneno. Saímos às 08:30 horas sem vento. Apareceram golfinhos pela primeira vez na Baía de Todos os Santos. O barco agora está dando 5,7 nós com 2000 RPM no motor (que diferença a hélice limpa faz).

29-31 de Agosto 2000

Estou preparando o barco para a viagem solo até Recife em 2 de Setembro.
Comprei e instalei uma nova bomba de água doce.
Limpei o casco, poucas cracas mas com muitas outras sujeiras (limo, um tipo de esponja, etc.).
Verifiquei o estaiamento e os cabos do leme. O barco está abastecido com 100 litros de óleo diesel, 250 litros de água doce, comida, etc.
Estou pronto para partir!

2 - Setembro 2000

Parti às 08:15 horas de Salvador para Maceió no motor, já que estamos sem vento. Estou sozinho (solo) porque Tereza precisava ficar em Salvador. Às 09:45 horas começa um vento NE (contra) e chuva e mudei para a vela. Às 18:00 horas estou na altura de Camaçari orçando.

3 e 4 - Setembro 2000

O vento mudou para E 10 nós.
A noite mudou para ENE. No dia seguinte às 06:00 horas o vento parou de novo e pouco depois começou um vento da terra. Aproveitei para ficar mais longe da costa. Pouco antes do meio-dia, de novo sem vento avistei uma baleia a uma distância de 100 metros. Não chegou mais perto.
Estou agora perto do farol Barra de Estância, na divisão entre Bahia e Sergipe.
Mais tarde temos um vento SE (na popa!), uma maravilha.
Vento a favor, sol, poucas ondas, melhor impossível. Decidi fazer um jantar especial, bacalhau no alho e óleo, batatas e cenouras cozidas. Um excelente jantar!

5 e 6 - Setembro 2000

Continuamos com vento SE, porém fraco e mais tarde sem vento.
Às 12:00 horas estou perto da divisão entre Sergipe e Alagoas.
De repente o barco (sem vento) está cheio de pequenas moscas (borrachuda?). Estranho, estamos à 10 milhas da costa. Em pouco tempo estou todo mordido e vou fugir daqui ligando o motor.
Uma hora mais tarde tenho vento de novo e muita chuva.
No dia seguinte cheguei em Maceió às 05:00 horas.
Maceió é uma decepção. O lugar para ancorar fica junto ao porto em mar aberto, mas a água é completamente poluída e a praia uma lixeira. Depois de meia dia apareceu o "Bira" do iate clube local. Por alguns reais ele faz o transporte para a terra, já que não dá para deixar o bote na praia. O clube é muito pequeno com pouca infra-estrutura. Vou para o centro fazer compras e ligar para Tereza. Passei no riacho Maceió que deságua na praia onde estou ancorado. É um esgoto a céu aberto!
Está explicado esta sujeira toda.
O piloto Autohelm quebrou de novo o pino. Coisa mal feita. Comprei no centro uma vara de aço inóx para fazer novos pinos.
À noite outra supresa desagradável. Mosquitos sem fim; mesmo ligando o ventilador e usando Autan, nada adiantou.

07 - Setembro 2000

Saí às 06:00 horas com destino a Recife (ficar em Maceió, nem pensar). Temos uma frente fria fraca e com sorte vento favorável.
Realmente mais tarde, chuva e vento SW. Coloquei o pau de spinnaker com as velas em asa de pombo (a genoa em um lado e a vela grande no outra lado). Infelizmente durou somente 2 horas e o vento parou. Tenho que chegar amanhã antes do meio-dia para poder entrar com a maré alta, já que o acesso para o Cabanga Iate Clube tem pouca profundidade, liguei o motor até às 19:00 horas e depois de novo na vela com vento SE de menso de 10 nós.

08 - Setembro 2000

Pouco depois meia noite de novo no motor. Cheguei na entrada do porto às 06:00 horas. Na entrada uma lancha pedindo ajuda, está sem combustível!
Reboquei-o até o clube dele, agora preciso esperar até às 12:00 horas para entrar no Cabanga Iate Clube.
Estou no píer às 13:00 horas e encontrei de novo os barcos Jameluce II (com Jan, holandês que também mora no Brasil e sua esposa Célia), Cavalo Marinho e Azular.

Desde o início da viagem a partir de Angra dos Reis andamos 1843 milhas (1 milha = 1852 metros) sendo 1417 na vela e 426 no motor.

9 - 21 Setembro 2000

Tereza voltou a bordo. Passamos os dias no clube que tem piscina e visitamos Recife. Um dia passamos em Olinda. É impressionante a quantidade de igrejas na parte antiga da cidade.
Cada dia estão chegando mais barcos para participar na regata Recife - Fernando de Noronha.
Entre os conhecidos: Scirocco, Azular, Jameluce, Bicho Papão, Wa Wa Too, Orion e Planckton.

22 - Setembro - 2000

Hoje temos às 19:00 horas a reunião dos comandantes para receber instruções para a XII Refeno (Regata Recife - Fernando de Noronha). Tudo sem problemas, porém o jantar para as tripulações foi cancelado porque o serviço de buffet não entregou a comida !?!
Encomendamos pizza.

23 - Setembro - 2000

À 01:00 hora chegaram Roberto Ferraz, Aurélio e Sérgio Benac e agora estamos com a tripulação completa.
Saímos às 02:00 horas para o Iate Clube de Pernambuco para aproveitar a maré alta. Chegamos às 03:00 horas. De repente notamos que o bote sumiu. Foi um nó mau colocado! Voltamos em direção da Cabanga até o meio do caminho e nada. Voltamos de novo para o Iate clube de Pernambuco por causa da profundidade.
Às 05:00 horas chamei um pescador por perto para voltar com o barco dele para a Cabanga. Encontramos o bote (agora com maré baixa) na lama atrás de um monte de lixo, que sorte!
Dei R$ 20,00 para os pescadores, todo mundo ficou feliz.
Saímos para o mar aberto para a linha de partida em frente da praia de Boa Viagem.
A largada é às 13:00 horas com vento SE 3-4 e partimos bem. São pouco mais de 300 milhas até Fernando de Noronha.

24 - Setembro 2000

Encontramos muitos golfinhos durante o dia bem perto do barco.
O vento mudou para E o que não é bom.

25 - Setembro 2000

O vento continua E e no final da tarde avistamos Fernando de Noronha, porém só chegamos um pouco antes de meia noite na linha de chegada.
Andamos 305,4 milhas com uma velocidade média de 5,18 nós.

26 - Setembro 2000

Agora é só ir até o porto para ancorar. Tentamos ligar o motor, e nada!
Temos diesel, sem ar nas mangueiras, porque não quer ligar ?
Vamos de vela até um ponto próximo do porto e jogamos a âncora.
Pouco depois, estamos a deriva! A profundidade é de 25 metros.
Foi um trabalho e tanto para iscar a âncora de volta no barco. Vamos de novo na vela para chegar mais perto da costa.
Não conhecemos o lugar e a noite sempre é mais difícil. Finalmente chegamos perto dos outros barcos e jogamos de novo a âncora em 7 metros de profundidade. Foi um sufoco e tanto, embora em nenhum momento houve algum perigo real. Todo mundo está exausto e tomamos um whisky para depois dormir.
De manhã peguei um barco de pesca para rebocar o veleiro mais perto do porto (todos os barcos ficaram do lado de fora, já que o porto é pequeno demais). O Triton sendo uma dos menores barcos fez um tempo razoável. Largaram 70 barcos, alguns desistiram, outros foram desclassificados e no final ficamos no 59º lugar em tempo corrigido.
O primeiro lugar foi para o catamaran Adrenalina Pura, um Fórmula I de vela, 65 pés, fabricado em fibra de carbono na Bahia a um custo de US$ 3,5 Milhões. Tempo: 18 horas 16 min 31 Seg. Segundo lugar para o trimaran Bahia, também 65 pés, tripulado somente por mulheres. Tempo 18 horas 50 minutos 36 segundos.
Roberto e Aurélio deixaram o barco para voltar de avião para o Rio.
Ambos são médicos e tem compromissos profissionais.
Continuamos portanto com Sérgio Benac,
Tereza e eu.
Fui buscar um mecânico para consertar o motor, já que não consegui descobrir o defeito.
À tarde chegou o mecânico Albuquerque, um cara super-simpático. Testou tudo, bomba injetora, bicos, etc.
Chegou a conclusão que o estrangulador do motor estava sempre ligado e por causa disso o motor não dava partida.

27 Setembro 2000

O mecânico desmontou o comando e realmente o estrangulador tinha escapado. Mesmo assim o motor não queria ligar. Ele estranhou que não tinha sucção na entrada de ar. De repente, um barulho e o motor ligou! Com certeza uma válvula de entrada calçada (sujeira entre a válvula e o cilindro). Bem, está tudo resolvido.
Albuquerque cobrou R$ 150,00 por 8 horas de trabalho. Dinheiro bem gasto, aprendi muito sobre como achar defeito em motor diesel.
À noite a festa de entrega dos prêmios. Outra decepção: não tem comida de novo, o avião não chegou ...
Ninguém acredita, aparentemente o clube está sem dinheiro...
A final de contas 2 vezes seguidas com problemas com a comida!

28 Setembro 2000

Alugamos um bugre para passear na ilha. Um verdadeiro paraíso tropical. À noite fomos para uma festa de forró.

29 Setembro 2000

Vamos para a famosa praia de Atalaia onde existem piscinas naturais cheia de peixes coloridos. São somente permitido pelo Ibama 100 pessoas por dia.
À tarde a reunião dos comandantes para IX Regata Fernando de Noronha - Natal. Uma recepção fantástica na pousada Monsieur Rocha. O clube tem o maior prazer em receber os veleiros em Natal. A partida é às 09:00 horas da manhã. O barco está preparado, só faltam algumas "coisinhas" para serem feitas antes da largada. A previsão do tempo é de ventos favoráveis e a distância até Natal são umas 200 milhas. Hoje vamos dormir cedo.

30 Setembro 2000

Largada às 09:00 horas. O Triton passou a linha de largada em terceiro lugar, estamos aprendendo! Estamos quase na orça, o vento é mais para o sul, deveria ser E para andar bem...

01 - Outubro 2000

O vento está variando entre SE e E com força 3-4 e bastante ondas. Temos um rizo na grande e a genoa também está reduzida. Andamos acima de 6 nós. O dia é bonito com muito sol.
Chegamos às 18:00 horas 50 min e 20 segundos.
Incrível, de novo o motor está dando problemas. É a entrada de ar. O bote do clube rebocou o veleiro até o píer para pernoitar.
Fizemos uma média de 6,13 nós é o melhor tempo em 24 horas (meio-dia a meio-dia noon to noon) desde que comprei o barco: 149.9 milhas ou uma média de 6,246 nós.
Chegamos em último junto com outra FAST 345; também o nosso barco é o menor da regata.

2 - 6 Outubro 2000

Tereza e eu voltamos para Salvador .
Sérgio Benac toma conta do barco na nossa ausência.
Estou de volta na Quinta e Tereza vai chegar amanhã.
Andamos de bugre pelas praias do litoral Norte, super-legal.

7 Outubro 2000

Hoje é a segunda parte da regata. Não vou com o Triton, estou sem tripulação, já que Benac está indo embora hoje e o motor continua com problemas. Embarquei no veleiro Wa Wa Too, um barco de 52 pés de alumínio, muito veloz (já participou nos anos 70 nas regatas famosas de Europa como o Fastnet). São 4 pessoas a bordo e são 2 regatas pequenas na frente das praias. Chegamos em primeiro lugar na classe aberta.

8 - 15 Outubro 2000

Vamos consertar as coisas quebradas.
A bomba de água doce deu um novo problema, desta vez um entupimento nas mangueiras.
O motor tem 2 problemas: 1 bico injetor está vazando e a entrada de ar no combustível. Mandei fazer uma ferramenta para sacar os bicos e comprei novas mangueiras para o circuito de combustível.
Tirei os bicos para limpeza e instalei a nova mangueira. Tudo funcionando OK.
Pretendemos ficar em Natal até o final do mês. O clube que tem piscina, bar, restaurante e música ao vivo nos finais de semana não cobra nada pela permanência. O povo de Natal é muito simpático e prestativo. Todos os dias estamos visitando as várias partes de Natal, como o litoral sul, com as praias do Forte, Meio e Artistas, o litoral norte, etc.
Estamos planejando subir junto com os veleiros Azular e Wa Wa Too para Fortaleza e depois Guiana Francesa e Trinidad.

16 - 22 Outubro 2000

Um dia andamos até Genipabu pelas praias do litoral Norte, são uns 7 km de distância. Bem gostoso!
No dia 21o encerramento do campeonato de pesca em alta mar do Iate Clube. O maior peixe um marlim (peixe de bico) de uns 24 kg.

22 - 31 Outubro 2000

Visitamos nestes dias as praias de Pipa a 70 km de Natal. É uma versão pequena de Búzios com muitas pousadas, restaurantes, bares, etc. Porém a comida é bastante cara.
Também visitamos a praia de Ponta Negra. É a mais desenvolvida de Natal com calçada nova e também os melhores hotéis e pousadas.
Muitas restaurantes e bares. No final de semana é bem animado, já que fica perto da área urbana de Natal.

1º de Novembro 2000

Partimos às 13:30 horas para Fortaleza. São umas 260 milhas. Vento bom SE 15 à 20 nós, um rizo na vela grande e a genoa reduzida. Às 18:00 horas estamos na altura de Cabo São Roque, ponto de menor distância entre o Brasil e o continente Africano. Às 21:00 horas já na altura de Cabo Calcanhar onde a costa prossegue mais para o Oeste.

2 de Novembro 2000

Estamos com as velas em asa de pombo com a ajuda do pau de spinnaker e o leme de vento está funcionando muito bem.
Por volta de meio dia estamos a 35 milhas da costa, profundidade conforme a carta náutica de mais de 2.000 metros e a água esta com uma cor belíssima de azul cobalto.
Depois de 15:00 horas o vento aumentou para ESE 20 à 25 nós com ondas de 2 metros; Tereza está assustada. Tirei a asa de pombo, para continuar com o vento nas alhetas e coloquei um segundo rizo na vela grande. A velocidade continua com 6 e até 7 nós.

3 de Novembro 2000

Às 06:00 coloquei de novo a asa de pombo, porém continuamos com dois rizos na vela grande. Ao meio-dia estamos a 9 milhas distante de Fortaleza. Às 14:00 horas chegamos a Marina Park Hotel. Antes de entrar na marina, ficamos ancorado do lado de fora para arrumar o barco e limpar 2 peixes capturados na parte da manhã. Entramos na marina e é um sufoca atracar. O píer está perpendicular ao vento predominante da região, bastante forte e precisamos jogar 2 âncoras para depois encostar com a popa no píer. O hotel é um 5 estrelas bonito porém a infra-estrutura náutica uma vergonha para um hotel desta categoria.
O píer é de aço, cheio de ferrugem, que suja os pés ou sapatos. O fornecimento de água e luz é feito de maneira improvisado. Levei 2 choques de 220 V para fazer o gato. (Sequer existe disjuntor).
De outro lado, pagando R$ 10,00 por dia, podemos utilizar toda infra-estrutura do hotel.
A maioria dos veleiros é do exterior. Temos barcos da Inglaterra, Holanda, Austrália, Suécia, África do Sul e Gibraltar.

3 - 20 de Novembro 2000

No dia 9 saímos com um casal de África do Sul e um Holandês para uma churrascaria. Na volta tinha uma festa enorme junto a piscina do hotel. Todo mundo engravatado. Perguntamos de que se tratava. Era uma festa para os melhores prefeitos do Ceará. Embora vestidos de calça jeans e camisa não pensamos 2 vezes e com a maior cara de pau sentamos numa mesa vazia e prontamente uma garçonete atendeu com whisky importado e cerveja!

No dia 10 fizemos um passeio pelas praias de Morro Branco, Praia das fontes e Canoa Quebrada à 150 km de Fortaleza. A principal característica são as falésias. O nome Canoa Quebrada data de 1650 quando um barco Português encalhou para fazer reparos com a ajuda dos índios. Para os índios qualquer barco era uma canoa. A "canoa" nunca foi consertado, ficou só o nome.

Em Fortaleza passamos muito na praia de Iracema e Mucuripe bem na parte nobre da cidade. Tem uma calçada boa para andar. Outra praia excelente em Fortaleza é a Praia do Futuro com inúmeras barracas, muitas de bom tamanho com restaurante e música (forró) ao vivo. A noite fica bem animada.
Um dia temos uma festa ao bordo do barco Holandês com churrasco e muita bebida. Temos o grupo de sempre, os Holandeses, os Dinamarqueses (por nos chamados de Vikings, eles tomam todos os bares por assalto) e os Sul-Africanos. Uma festa boa!

Já estamos abastecendo o barco para a viagem ao Caribe, Tudo que é bom e barato estamos comprando aqui, café, castanha de caju, feijoada em lata, e mais as outras necessidades para a viagem,. O supermercado Pão de Açúcar entrega tudo no barco sem custo adicional.
O Plano é zarpar amanhã para Jericoacoara, onde pretendemos ficar um dia caso a enseada ofereça abrigo, depois Ilha do Diabo na Guiana Francesa (famosa pelo livro e filme de Papillon ) e depois Scarborough em Tobago onde pretendemos ficar até 20 de Dezembro.
Tudo a bordo está OK, costurei até as bandeiras para os países a serem visitados (é obrigação ter a bandeira do país visitado no estaiamento a boreste).
São quase 1.600 milhas até Tobago e esperamos fazer o trajeto em no máximo 14 dias sem contar as paradas.
Tereza está com medo por causa da duração mas vai dar tudo certo!

21 - Novembro - 2000

Saímos às 09:00 horas da marina para ancorar fora, preparar o barco e limpar o casco. Às 11:00 horas levantamos a âncora. Vento SE de 15 à 20 nós. Um rizo na vela grande e genoa reduzido; velocidade 6,5 nós. O vento aumentou durante a noite e colocamos um segundo rizo na vela grande o que melhorou em muito a estabilidade.

22 - Novembro - 2000

Às 04:00 horas vento agora é de 25 nós com rajadas de 30 nós do SE. O barco ficou difícil de controlar já que mesmo longe da costa a profundidade é de só 15 metros e temos muitas ondas altas e curtas. Tirei a vela grande e passei o pau de spinnaker para boreste para continuar somente com a genoa e velocidade de 6 nós. Às 10:30 horas chegamos na enseada de Jericoacoara. Não é muito abrigado com este vento forte. Ficamos à 500 metros da praia com profundidade de 3 metros. Não é possível ir para terra por causa do vento forte. Nesta viagem notei mais uma vez que a vela grande poderia ser menor. Mesmo com 2 rizos na grande existe uma tendência para orçar. Vamos esperar melhorar o tempo já que Tereza ficou assustada com as ondas. A noite falamos com Dona América no rádio SSB. Mais tarde falamos com Richard e Melanie do barco Ingrid de África do Sul (amigos de Fortaleza). Eles vão chegar amanhã em Belém.
Encontramos jangadas até 30 milhas da costa. Realmente tenho o maior respeito por estes pescadores que vão longe em barcos pequenos para ganhar a vida. Um exemplo do espírito Brasileiro!

23 - Novembro - 2000

Saímos de Jericoacoara às 08:20 para Iles de Salut na Guiana Francesa. O vento aumentou de novo às 14:00 horas para 30 nós com muitas ondas. Tirei a genoa e agora só com a vela grande com 2 rizos.
24 - Novembro - 2000

O mar está muito confuso. Ao amanhecer encontramos uns 30 pequenos peixes voadores no convés. Vieram a bordo com as ondas. Às 11:00 horas temos menos vento e o mar mais calmo. Estamos com 6,6 nós.

25 - Novembro - 2000

Passamos a linha do equador às 0953 horas . Como de costume Netuno embarcou para batizar os viajantes que cruzarem a linha pela primeira vez de barco, portanto Tereza ! Também tinha recebido um presente em Angra dos Reis do meu amigo Menno para só ser aberto quando cruzarmos a linha. Conteúdo: uma carta onde Menno dá os parabéns e espera que viajemos bem nos mares de Norte e para festejar uma garrafa de Champanhe Francês! Não vamos abrir agora, já que não temos gelo abordo. Obrigado Menno!
São ainda 580 milhas até as Iles de Salut.

26 e 27 Novembro - 2000

Estamos andando bem rápido. Fizemos em 6 horas 48,7 milhas, uma média de mais de 8 nós. Conforme o "Pilot Atlas" temos uma correnteza a favor de até 1,5 nós! Tentamos pescar e várias vezes a carrilha soltou a linha e parou. Descobrimos depois que 2 anzóis simplesmente sumiram e a isca estava toda arranhada. Deve ter sido um peixe grande! Coloquei novos anzóis e pegamos 2 atuns pequenos. Um virou um sashimi e o outro um ensopado.
Mais tarde 2 tubarões grandes passaram bem pertinho do barco e foram embora.
Fizemos um novo recorde de velocidade 162,7 milhas em 24 horas.

28 - Novembro - 2000

Às 14:00 horas passamos a 30 milhas de Cabo Orange, ponto mais ao Norte da costa Brasileira. Faltam 120 milhas até as Iles de Salut.
Todo dia estou tomando 3 vezes a posição do Sol com o sextante para calcular a minha posição. Embora não necessário hoje em dia com o GPS, gosto de fazer isto e é uma segurança a mais caso a eletrônica dê algum defeito. A posição calculada fica em média até 3 milhas distante da posição real do GPS; muito bom!

29 - Novembro - 2000

Às 06:00 horas avistamos as ilhas. São ainda umas 14 milhas até lá.
08:00 horas: o vento parou, faltam 4 milhas, vamos de motor. Chegamos às 10:00 horas, só tem um outro barco alemão. Vou com o bote até lá para obter informações. É um casal com um filho de 16 anos que já estão navegando 12 anos. As ilhas Salut são compostos de 3 ilhas: Ile Royale, Ile Saint Joseph e Ile du Diable.
A viagem de Jericoacoara até as ilhas foi de 902 milhas.
A tarde chegou outro barco alemão. Que supresa; é o Jambo que já conhecemos de Salvador e Fernando de Noronha. Mais tarde chegou um catamaran bem simples de menos de 30 pés. O dono vem abordo nadando. O nome dele é Jeff e é Australiano. Fala bom português. O barco dele sequer tem motor ! Já está viajando há 7 anos. Adorou o norte do Brasil. Com o barco dele entra em qualquer buraco e rio. Ele é um bom exemplo que pode-se viajar com poucos recursos. Quem quer faz !
Visitamos a Ile Royale. Nesta ilha ficava o comandante, a administração penitenciária e os presos menos perigosos. Os mais perigosos ficavam isolados na Ile du Diable (famoso pelo livro e filme Papillon). As ilhas ficam a 8 milhas da costa onde está o "Centre spatiale de Kourou" onde é lançado o foguete Ariana do consórcio Europeu. Dá para ver as instalações daqui. Normalmente é necessário fazer a entrada formal no país, mostrando passaportes, documentos do barco e uma declaração do último porto do outro país informando que o barco foi liberado para zarpar (Passe de saída). Aqui ninguém quer saber de nada!
As ilhas pertencem agora ao "Centre spatiale" e na Ile Royale tudo está sendo restaurado. Na Ile Saint Joseph tudo está no estado abandonado e é proibido visitar a Ile du Diable.

30 - Novembro - 2000

Passamos na Ile Saint Joseph. Na parte alta tem uma prisão enorme tudo em ruínas e sendo tomada pela mata. Dá para ver que aqui ficavam a maioria dos presos. São corredores e mais corredores de celas pequenas. A prisão foi construída no ano 1898.

1 - Dez - 2000

Partimos com o barco para a cidade de Kouro no rio com o mesmo nome. A entrada é bem balizada. Chegamos às 14:00 horas e ancoramos. Peguei o bote e fui para um píer para fazer compras no supermercado, distante uns 500 metros do píer. Tudo muito caro com exceção de vinho francês e queijo francês. Tudo é importado da França. As "colônias" Francesas são consideradas províncias com todos os direitos e vantagens da França: salário mínimo alto, saúde, educação, etc. Parece a França transportado para os trópicos. Comprei frutas, sucos, galinha, pão, vinhos e um queijo Camembert. Paguei com cartão de crédito, já que não tenho Francos. Transportar tudo isto de volta para o píer seria um sacrifício. Tentei uma carona e o primeiro carro parou. Expliquei no meu melhor Francês que estou com um barco e que quero ir até o píer do porto. Era contramão mais o rapaz me levou com o maior boa vontade! Merci beaucoup, Au Revoir !

2 - Dezembro - 2000

Hoje de madrugada caiu um temporal. Bom para tirar o sal do barco. Encostamos às 11:00 horas no píer dos pescadores para abastecer com água. Encontramos vários Brasileiros que trabalham aqui (ilegalmente). Falaram que hoje são poucos Brasileiros comparando com 10 anos atrás quando tinha muito trabalho por aqui.

3 - Dezembro - 2000

Saímos de Kouro a motor e uma vez fora do rio com a vela. Vento SE de 15 à 20 nós. Rumo 330 graus para Tobago. Ondas de até 3 metros.
A noite o vento aumentou para 30 nós e tirei a genoa, agora só a vela grande com 2 rizos.

4 - Dez - 2000

0030 Uma onda grande bateu contra o barco e entrou muita água pela gaiuta. Molhou a mesa de navegação e os instrumentos. As 0300 uma frota enorme de pescadores. Tive que desviar várias vezes. Hoje batemos um nove recorde: 188,4 milhas em 24 horas, uma média de 7,85 nós !

5 e 6 - Dezembro - 2000

Continuamos com vento bom, sempre E ou ENE de 15 à 20 nós. Tereza não está gostando muito, já que tem muitas ondas.

7 - Dezembro - 2000

Acertamos os relógios para menos uma hora para ficar na hora local de Trinidad e Tobago. Estamos chegando junto com os golfinhos em Tobago. Às 08:30 horas liguei o motor, foi difícil. Depois de 30 segundos o motor parou. Abri o compartimento e o motor está coberto por uma lama cinzenta. É óleo do motor misturado com a água salgada. Entrou água no motor, não sabemos de onde.
Entramos na baía a vela e ancoramos às 10:00 horas. Um barco Australiano já ancorado informou que já teve um problema assim e a solução era tirar todo óleo, colocar novo óleo misturado com óleo diesel para lavar o motor e repetir.
Bem, primeiro vou fazer o "clearance" com a imigração e alfândega. Levei umas 2 horas, muito papel para preencher. Depois comprei 10 litros de óleo lubrificante. Não tenho a bomba para tirar o óleo do motor (é pelo buraco onde fica a vara para medir o nível, não existe acesso por baixo). O barco alemão Jambo que partiu junto conosco da Guiana Francesa está chegando às 14:00 horas e tem esta bomba manual para emprestar.
Começamos a tirar o óleo, é uma mistura grossa cinzenta. Um esforço enorme para tirar com a bomba. Já tirei 5 litros e ainda tem muito (normalmente o motor tem 4,5 litros de óleo lubrificante).
Vou continuar amanhã, não tenho mais força.

8 - Dez - 2000

Tiramos o restante; um total de 9 litros, portanto entrou 4,5 litros de água salgada! Gastei 5 horas para tirar tudo !
Troquei o filtro e coloquei 2 litros de óleo lubrificante e 1 litro de óleo diesel. Liguei o motor, deu 2 trancos e o motor pegou! Deixei o motor ligado por 5 minutos; não pode ser mais, já que esta mistura de óleo com óleo diesel não é um bom lubrificante. Tiramos de novo o óleo, agora é rápido, menos de meia hora. Está bem sujo de cor cinza.
Tirei de novo o filtro, lavei com óleo diesel e colocamos de novo 4,5 litros de óleo lubrificante. Liguei o motor de novo e deixei funcionar por 30 minutos. O óleo está com o cor normal, pelo jeito não tem mais sujeira. Por onde entrou a água?
Um achou que pode ser pela bomba de água salgada para resfriar o motor. Desmontei a bomba e não tem nenhum vazamento.
Outro achou que pelo cano de exaustão, já que pegamos muitas ondas nas alhetas e pode ter entrada com pressão por lá. É possível!
Achei que também pode ser no joelho de exaustão no motor, já que notei que a junta não é muita boa. Por enquanto vou acompanhar de perto o nível de óleo para verificar a entrada de água ou não.
Em Trinidad vou comprar uma junta para o motor e uma válvula na exaustão.
A tarde passamos na cidade de Scarborough para comprar frutas, galinha e curry. A cidade é bem pequena e o povo é na maioria Negro e também bastante Indianos (importados da Índia no século passado para substituir os escravos nas fazendas de cana de açúcar com o fim da escravidão). Os Indianos agora tem boa parte das lojas. Trinidad e Tobago eram uma colônia Inglesa, agora é independente mas com todos os costumes ingleses: dirigem no lado errado da rua, volante no lado direito, esportes ingleses como cricket são muito populares. O povo é muito educado e quase todos os funcionários públicos usam uniforme. A noite galinha com curry de excelente qualidade e barato (também com tantos Indianos).

9 - 11 Dezembro 2000

Subimos a pé até o Forte King George construído por volta de 1779. No mesmo local tem ainda um hospital e o farol. A tarde vamos de táxi até Crown Point/Store Bay à 18 km de Scarborough.

12 Dezembro 2000

Saímos a motor contornando a ilha pelo lado Oeste até a Baía de Great Courland e o vilarejo Plymouth. Na baía uma praia de uns 2 Km de extensão e somente um outro veleiro. Única coisa interessante no vilarejo é o Forte James.

13 dezembro 2000

Comprei hoje gasolina super para o motor de popa do bote. Custa somente us$ 0,35 o litro. Mais barato só na Venezuela onde água mineral é mais caro de que a gasolina !

14 Dezembro 2000

Partimos para Englishman Bay, porém o vento mudou para NE e a baía fica pouco abrigada. Voltamos para Mount Irvine Bay 2,5 milhas ao SW de Great Courland Bay.

15 Dezembro 2000

Saímos de Courland rumo a Castara Bay. São 8 milhas e vento de novo contra e portanto de motor. Na chegada nadei de snorkel e encontrei um cardume enorme de peixe-espada. São milhares de peixes com comprimento de até 1 metro. No recife também muito coral e peixes coloridos. A tarde visitamos a praia onde existe um bar e restaurante. Tem muitas ondas quebrando na praia. Na volta para o barco esperamos uma onda grande passar para lançar o bote no mar. O motor de popa não quis pegar. Resultado: tentamos remar para ficar afastada da praia e das ondas, porém chegou outra onda grande e o bote virou. Tereza ficou debaixo do bote. Virei o bote rápido e puxei tudo de volta para a praia. Tereza chorando e tremendo. Agora o motor está todo molhado não vai pegar mesmo. O dono do restaurante falou com alguns pescadores para rebocar o bote conosco de volta para o barco. De volta ao barco tirei a vela do motor e estava com sujeira. Limpei, recoloquei e o motor pegou. Tereza avisou que não vai mais para as praia quando tem muitas ondas.

16 Dez 2000

Saímos de Castara Bay rumo ao Man O' War Bay (Man Of War era o nome dado aos barcos grandes a vela da marinha nos séculos 16-18). Ancoramos perto de Charlotte Ville em 17 metros de profundidade. O vilarejo tem píer para atracar com o bote e Tereza ficou feliz.

17 - 20 Dez 2000

Mudamos o barco para uma enseada pertinho de Charlotte Ville com uma praia linda e muitos corais. Ancoramos com 2 âncoras, uma na proa e outra na popa, já que não tem muito espaço. Tem muitos barcos chegando nestes dias, inclusive vários da Europa via Cabo Verde.

21 Dezembro 2000

Saímos com a intenção de contornar a ilha pelo lado Norte para ir até Speyside Bay onde existe um bom mergulho de garrafa. Porém, fora da baía um vento forte do Leste e muitas ondas. Assim Speyside fica desabrigado e decidimos voltar a vela para Store Bay no extremo Leste e o ponto mais perto de Trinidad. Por perto tem Buccoo Coral Reef para bons mergulhos com snorkel.

22 - 24 Dezembro 2000

De novo o motor de popa não quer pegar. Não tem faísca na vela. É o botão de desligar o motor que está em curto. Entrou água quando o bote virou. Coloquei uma outra chave improvisada e tudo OK.

25- 27 Dezembro 2000

Almoçamos hoje em um hotel com Tuffy e Shirly da África do sul e Martin e Linda de Bermuda. Aqui como na maioria dos países o Natal e festejado no dia 25.

28 Dezembro 2000

Peguei o ônibus até Scarborough para fazer o "clearance" do barco para Trinidad. Partimos às 16:00 horas para chegar de madrugada em Chaguaramos perto do capital Port of Spain em Trinidad. São somente 60 milhas. Vento na popa e com somente a genoa no pau de spinnaker.

29 Dezembro 2000

Às 03:00 horas reduzi o genoa para ir mais devagar e às 04:30 tirei a genoa para entrar na Boca de Dragão durante o dia. Mesmo a deriva estamos fazendo 1,5 nós. Trinidad fica muito perto da Venezuela e é separado por 2 canais estreitos. Ao Sul Boca da Serpente e ao Norte Boca do Dragão. São famosos ou melhor temidos pelas fortes correntezas e realmente entrando de motor a velocidade é somente 2 nós enquanto o normal é de 5 á 6 nós. Correnteza de 4 nós! No canal estamos acompanhados durante 1 hora por golfinhos. Chegamos às 08:30 em Chaguaramos. Tem umas 5 marinas e mais de mil barcos, em boa parte são barcos Americanos guardados no seco esperando os donos voltarem durante as férias. Tem muitas lojas náuticas e também é fácil importar peças sem pagar impostos para barcos em trânsito. Recebemos um livro de 200 páginas com todas as informações sobre o país, serviços, mapas, etc, especial para os "yachties" (termo inglês para pessoas que vivem em veleiros viajando). A tarde chegou de Belém o barco Ingrid da África do Sul com Richard e Melanie (tivemos contato com eles uma vez por semana via rádio SSB desde que saímos de Fortaleza).

30 Dezembro 2000

Encontramos de novo o veleiro Brasileiro Scirocco com Luís e Geórgia que a gente já conhecia em Angra e Fernando de Noronha. Tem também um barco Português com Zé e Ana e um barco com bandeira Alemã mas os donos Orlando e Nara são Brasileiros. Ainda tem mais uma Brasileira casada com um Irlandês. O Scirocco está em Trinidad 2 meses fazendo reformas. O Luís colocou 6 paneis solares de 75 Watts cada e tirou o gerador a diesel. Sobrarem 2 paneis de 48 Watts cada que estavam instalados antes. Comprei os 2 mais um regulador de voltagem já que vamos instalar uma geladeira e preciso de mais energia para manter as baterias carregadas (Temos agora além do gerador eólico, 2 paneis de 18 Watt cada e 2 de 48 Watts cada).

31 Dezembro 2000

Festa à noite na marina organizado pelo Zé. Cada um leva um prato de comida e bebidas. Tinha feijoada, pernil, saladas, etc. Tem umas 25 pessoas: Brasileiros, Portugueses, Americanos, Holandeses, Franceses, etc. A festa foi bem animada e só terminou às 4 horas da manhã.